O que fazer com o lixo que não é lixo
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quarta-feira, 05 de julho de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Quem tem sofá velho, TV quebrada ou teclado de computador onde já faltam letras sabe que descartar estes produtos não é tão simples em Londrina. ''Eu tenho vergonha de colocar um monitor no cesto de lixo'', revela o prestador de serviços de informática, Maikol Campanini. Mensalmente, ele acumula não só monitores, mas teclados, mouses e outras peças sem conserto. ''Os clientes empurram para mim por não saber o que fazer. As coisas pequenas eu até coloco no lixo comum, mas as maiores eu deixo aqui por um tempo; depois, tento empurrar para outra pessoa também'', conta.
Segundo o técnico da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), responsável pelo Aterro Sanitário, Elsoni Delavi, o ideal seria que Campanini e os clientes entregassem todos esses equipamentos para as equipes de reciclagem. ''Os recicladores fizeram um curso no Sebrae para saber identificar materiais recicláveis em produtos eletro-eletrônicos. O que eles puderem aproveitar, eles separam; o restante, descartam no aterro'', garante.
Mas e se o produto não puder ser reciclado, como um sofá ou uma máquina de lavar roupas? ''O primeiro pode ser reutilizado ou ir para o aterro e o segundo pode ser desmontado e revendido em peças'', assegura Delavi. Ele afirma que um sofá de madeira gera em média cinco quilos de lenha e quem não quiser reaproveitá-lo desta forma pode desmontá-lo, desmembrando em peças menores, e colocá-lo no lixo comum. Já a máquina de lavar tem muitos componentes ''valiosos'', uma vez que várias peças são feitas de cobre e o quilo do metal vale cerca de R$ 5,00 na cidade.
Delavi ressalta, entretanto, que a maior dificuldade no descarte correto destes produtos está na impaciência das pessoas. ''Elas, às vezes, não querem ter trabalho e nem esperar para descartar da melhor forma. Preferem pagar um carroceiro para sumir com o lixo'', afirma. Ele aconselha que os londrinenses liguem para o serviço de coleta seletiva da CMTU para se informar qual a melhor maneira de fazer o descarte. O telefone é (43) 3334-2030.
O diretor de Operações da CMTU, Fábio Reali, acrescenta que qualquer medida do município para conter o descarte inadequado de lixo depende da população. ''Primeiro é preciso a mudança de hábito. Não adianta apenas implantarmos programas de coletas específicas, precisamos que as pessoas participem de fato'', afirma. Ele conta que na semana passada a CMTU fez a limpeza de um terreno na Zona Leste que havia se tornado um aterro clandestino. ''Eu mesmo contei 140 montinhos de lixo. Uns começam a jogar, outros vão colocando por cima e assim vai.''


