Quem nunca levou uma pancada dolorida que rendeu alguns dias de dor e perna ou braço roxo e inchado? As contusões são frequentes em todas as fases da vida e a gravidade varia conforme o impacto e o local atingido pela batida. De acordo com o fisioterapeuta José Lima, a maior incidência de contusões ocorre durante a prática de atividades físicas e com pessoas que atuam em profissões que exigem grande esforço, como na construção civil. Mas qualquer um está sujeito a sofrer lesões simples.
Em geral as contusões leves estão relacionadas a acidentes domésticos, como um chute na perna da mesa, uma batida do cotovelo na maçaneta ou uma queda na calçada. Já os traumas são mais frequentes em acidentes automobilísticos. ''As contusões são lesões na parte mole, que inclui músculo, tendão, ligamento, cápsula e pele. Pode ser direta como a pancada ou indireta como as torções'', explica o fisioterapeuta.
De acordo com José Lima, em geral as contusões sofridas pelas crianças são leves. ''Crianças caem com frequência, mas geralmente essas situações não apresentam gravidade'', garante. Ele destaca que contusões leves provocam dor por um ou dois dias e depois desaparecem. ''No caso de contusões corriqueiras o organismo tem capacidade de reparação sem precisar de maiores cuidados'', diz.
Ele acrescenta que nas contusões mais sérias, que resultam na disfunção do membro atingido, é necessário aplicar gelo e utilizar medicamentos anti-inflamatórios.
''O repouso e o tempo de recuperação são proporcionais à gravidade da situação. Um edema grande deixa a articulação contundida rígida. Em lesões graves, em que ocorre uma ruptura, é necessário fazer a imobilização. Já em lesões leves recomendamos o repouso parcial'', detalha. Ele explica que os sinais indicativos de gravidade mais importantes são a dor, a limitação funcional e o inchaço.
Conforme o fisioterapeuta, no caso de uma contusão, a recomendação é que seja utilizado gelo imediatamente ou alguma substância que faça vasoconstrição, esfriando o lugar, como o álcool. Nas primeiras 48 horas pode-se usar o gelo para evitar a formação de edema. ''Após 72 horas, se o inchaço continuar, usa-se o choque térmico, com gelo e calor alternados.''
José Lima lembra que a partir de certa idade o indivíduo perde a capacidade funcional que inclui força muscular, coordenação motora e equilíbrio. ''Isto é fisiológico e está relacionado ao envelhecimento. Neste caso as lesões têm maior gravidade por conta da dificuldade de reparação'', detalha.
A situação piora quando há associação da contusão com patologias oportunistas como diabetes ou insuficiência vascular. ''Essa situação eleva o risco de outras patologias'', alerta.
Conforme o ortopedista Wilson Campos, geralmente as pancadas atingem os membros, a coluna ou a cabeça. ''É mais preocupante quando se bate a cabeça porque pode envolver problemas neurológicos tardios'', diz. Segundo ele, este tipo de pancada é preocupante sobretudo quando ocorre com crianças e provoca desorientação na hora do acidente. ''Recomendamos que seja feita uma avaliação médica para descartar qualquer problema em decorrência do trauma.''
Quando ocorre nas costelas, em geral a pancada pode levar à falta de ar. ''Na contusão a pele fica íntegra, mas forma edema com hematoma e dor no momento da pancada'', explica. Ele acrescenta que no caso de trauma mais intenso pode ocorrer fratura. ''Para identificar pequenas fraturas é necessário fazer exames clínicos e radiográficos'', destaca.
Um dos erros mais comuns cometidos pelas pessoas é a aplicação de pomadas e massagem no local da batida. ''A massagem imediata no local pode piorar o quadro. Recomendamos que se coloque gelo e imobilize'', explica. Caso o ferimento não melhore em 24 horas, Campos recomenda procurar um médico. ''Se o local apresentar mais inchaço e dor ou se a pessoa tiver dificuldade de movimentar o membro, deve-se fazer uma avaliação mais detalhada para identificar o que realmente aconteceu. Neste caso é preciso fazer uma radiografia'', completa.

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