O que fazer?
Jaime Lerner (PFL) e Roberto Requião (PMDB), candidatos ao Governo, analisam a questão da terra e apresentam propostas para o caso de serem eleitos. Jamil Nakad, do Prona, Júlio de Jesus, do PSTU, não quiseram se manifestar.
LERNER
Para o candidato à reeleição, governador Jaime Lerner (PFL), o Paraná tem um modelo de reforma agrária que já funciona muito bem na prática: as vilas rurais. Elas são um exemplo claro de organização e representam uma grande solução para os problemas de ocupação de terra. Com as vilas rurais, estamos promovendo uma reforma agrária ordeira e pacífica, destaca o governador. Ele já autorizou a implantação, nos três anos e meio de seu governo, de 416 unidades em todo o interior do Estado.
Segundo Lerner, o ponto mais importante do programa é que os próprios agricultores vão orientar a produção, de acordo com a vocação regional. É um programa que permite a diversificação, garantindo a rentabilidade e o sustento de cada propriedade, explica. O governador rebate as críticas da oposição, ressaltando que só na primeira etapa do programa vilas rurais foram beneficiados 80 mil pequenos produtores rurais, que estão com terra e sustento da família assegurados. A expansão desse modelo para o País resolveria o problema da reforma agrária, avalia.
Lerner diz que pretende, se reeleito, continuar avançando no processo para a pacificação de conflitos de terra. Além da conclusão das unidades já contratadas nos municípios, vamos ampliar o suporte técnico, elegendo junto com os moradores as prioridades para as vilas rurais, promete. Ele diz ainda que o primeiro passo para o avanço do setor é a criação do Faxinal da Terra, uma espécie de curso no qual os produtores e seus filhos vão aprender a cuidar melhor da terra e como obter mais ganhos. (Leandro Donatti)
REQUIÃO
O candidato das oposições ao governo do Estado, senador Roberto Requião (PMDB), acredita que o problema da terra no Paraná vem se acentuando nos últimos anos. Falta pulso firme de um governo, que venha a coibir os abusos e promover uma política séria de assentamentos, acusa ele.
Para o senador, a massa de desesperados, em busca de um pedaço de terra para plantar, está crescendo ano a ano graças ao descaso oficial. Em seus discursos de campanha, o senador diz que é 100% a favor da reforma agrária, mas também 100% contra as invasões de terra.
Os proprietários de terra não plantam com medo da invasão de suas áreas. Nenhuma segurança é oferecida em troca e o clima só pode ser de terror, considera. O senador bate na tecla de que o governo estadual precisa priorizar a questão, investindo mais recursos na solução do problema.
Em vez dos altos gastos com publicidade, por que não comprar áreas de terra para assentamento?, questiona. Ele calcula que só com os gastos dispensados até o momento com publicidade seria possível assentar 67 mil famílias. Ia faltar sem-terra.
O senador promete ressuscitar o programa desenvolvido durante o seu governo, o Panela Cheia, se obtiver êxito em 4 de outubro. Para ele, o programa é fundamental porque vai financiar o pequeno agricultor com a equivalência em produto.
Requião promete ainda combater a política de importação que, segundo ele, está sacrificando os pequenos. Não adianta assentar sem-terra e não dar condições para que se desenvolvam, afirma. (Leandro Donatti)





