'O que era preto e branco fica colorido'
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segunda-feira, 09 de abril de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Aos poucos, os estudantes vão chegando e se unindo ao grupo. O uniforme que antes os identificava como profissionais da saúde agora é substituído pela engraçada vestimenta dos palhaços. Junto com a caracterização dos doutores da alegria, o som da flauta e o toque do violão. O clima nos corredores do hospital também se transforma e atrai os pequenos olhos curiosos, que disputam o espaço na janela dos quartos.
''Olha mãe, os palhaços estão chegando!'', grita eufórico Gustavo Felipe Oyeda, 5 anos. O menino é somente uma das inúmeras crianças que por algumas horas da semana tem o sofrimento aliviado devido às peripécias dos universitários dos cursos de Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Farmácia, Odontologia e Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O grupo de voluntários faz parte Projeto Sensibilizarte que, desde 2007, realiza visitas às alas infantis e femininas do Hospital Universitário (HU) de Londrina, trazendo mais alegria e bem-estar com contações de histórias, muita música, palhaçadas e artesanato.
A iniciativa, que é fruto de uma parceria com a Federação Internacional dos Estudantes de Medicina (IFMSA), começou com apenas oito alunos e, hoje, já conta com a participação de mais 60 universitários, que se dividem nas quatro frentes de atividades. Os estudantes passam por cerca de 70 leitos, durante as visitas que realizam três vezes por semana.
De acordo com a coordenadora da atividade, a estudante de Medicina Marina Penteado, o trabalho que é capaz, até mesmo, de diminuir as dores e abrir o apetite dos pacientes, surgiu com mais um objetivo: formar profissionais da saúde mais humanizados. ''Nós já conhecíamos e admirávamos os trabalhos dos outros doutores da alegria e percebemos o quanto isso poderia colaborar para tornar o olhar dos futuros profissionais muito mais treinados para atender o caso de cada um dos pacientes'', justifica.
''Quando realmente nos aproximamos dos pacientes nos tornamos muito mais críticos, temos a possibilidade de enxergar as falhas do sistema público de saúde e fazer a nossa parte para que ele melhore'', afirma a estudante da 6 série de Medicina, Adna Reis, que participa do trabalho voluntariado desde o início, em 2007.
''Existem tantos tópicos que deixam de ser abordados durante o curso e que são tão importantes para nossa formação, que só aprendemos mesmo quando a gente passa por algumas experiências'', enfatiza a futura médica Adna, relatando já ter presenciado o desenvolvimento de vários alunos, que antes eram muito tímidos e não conseguiam conversar com os pacientes.
''Não tem como a universidade proporcionar isso a eles durante as aulas, mas o projeto pode. É uma troca que beneficia a todos e contagia os funcionários do hospital. Quando a gente chega, tudo que era preto e branco fica colorido'', observa Adna.
E haja coração para a empregada doméstica Josiane de Pontes Oyeda, que precisa controlar o filho Gustavo, que passa por tratamento para a insuficiência renal. O garoto esquece do soro, abandona a fraldinha e fica de pé na caminha, encenando o toque de um violão. ''Tia, dá esse óculos verde pra eu virar uma estrela do rock?'', brinca o menino com a voluntária Maíra Coelho, aluna do 3º ano de Fisioterapia.
''A maior recompensa somos nós que ganhamos'', afirma Maíra, enquanto os demais colegas levam um pouco de distração também para a ala feminina do hospital. ''A visita deles nos faz muito bem. Pena que não dá pra rir muito, porque dói a barriga'', brinca a dona de casa Daniela Cristina Moreno, que se recuperava de uma cirurgia nos ovários.


