O que é que Curitiba tem?
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Como toda metrópole, Curitiba atrai muita gente. São pessoas que procuram emprego, oportunidades, estudo, qualidade de vida ou até mesmo um clima melhor. No dia do aniversário da cidade, a FOLHA foi atrás de quem optou por ser curitibano, apesar da fama de chato atribuída aos nativos e das temperaturas oscilantes, para responder a uma pergunta fundamental: o que é que faz alguém se apaixonar pela cidade?
A mistura caótica de gente de todo lugar dá às cidades de grande porte uma população atípica. Isso faz com que seja difícil apontar um perfil do curitibano. Estamos em pleno processo de construção de uma nova sociedade, aponta a geógrafa Olga Firkowski, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Segundo Olga, o movimento de vinda de pessoas de outras cidades para morar em Curitiba se tornou mais intenso a partir dos anos 1970. Com o fim da era do café e o início do ciclo da soja houve uma forte migração de pessoas do interior do Paraná para a Capital, explica.
Nos anos 1990, o movimento migratório em direção a Curitiba ganhou adeptos no restante do País. A cidade foi alvo de um marketing urbano intenso que firmou no imaginário do brasileiro a ideia de Curitiba como cidade organizada, com qualidade de vida, aponta.
É justamente essa fama de lugar bom para viver que atrai tanta gente. Mesmo hoje, que a cidade já não é mais tão modelo, a imagem permanece, avalia. Segundo Olga, Curitiba atrai tantos migrantes quanto outros centros urbanos do País, como Belo Horizonte e Porto Alegre.
Mais da metade dos curitibanos de hoje não nasceu aqui, diz. São pessoas que trazem para a cidade outras experiências, outra visão de vida e que ajudam a mudar nossas tradições e valores, observa. Essas pessoas contribuem para o desenvolvimento de uma sociedade que acha o diferente normal. É uma troca fundamental, que traz para cá outro jeito de agir, de conviver, diz.


