Na semana passada, a secretaria municipal Ambiente (Sema) cortou várias árvores condenadas na Praça Rocha Pombo, no centro de Londrina. Neste caso, a ação fez parte da iniciativa de revitalização da praça, que consiste num projeto de paisagismo do local. Embora a arborização urbana seja um dos principais cartões das cidades, uma preocupação para muitas pessoas é a falta de erradicação de árvores que estariam condenadas em frente a suas residências, oferecendo riscos aos imóveis.
A dúvida é: o que caracteriza que uma árvore está condenada? Segundo o secretário da Sema, Gerson da Silva, há uma série de requisitos e aspectos sanitários que irão caracterizar a condenação. ''Precisamos de vários requisitos para validar o corte da árvore. Se constatarmos que possui doenças ou fungos como orelha-de-pau, broca, que está soltando pó, está seca, ou ainda apresenta risco iminente de queda, o corte será viabilizado imediatamente. Nem sempre a árvore com cupim está condenada'', explica.
Qualquer pedido de corte deve ser protocolado junto à Secretaria e será avaliado pelos técnicos florestais e agrícolas do órgão. ''O que acontece é que muita gente quer que tiremos a árvore em frente de sua residência a qualquer custo, seja pelo fato de folhas caírem e entupirem a calha, ou ainda porque está atrapalhando a frente do imóvel. Se não identificarmos qualquer tipo de condenção, não iremos erradicar a árvore. 60% dos pedidos que nos chegam são negados. Somos rigorosos nesse sentido'', comentou Silva. A multa para quem cortar árvores sem autorização é de no mínimo R$ 1 mil, podendo responder a processo por crime ambiental.
Esta é uma briga que parece não ter fim. De um lado, os moradores apreensivos com suas moradias. De outro, o elevado número de cortes pendentes. ''São aproximadamente 100 mil árvores na cidade. Hoje temos uma fila de espera com 400 árvores condenadas, sendo que nossa capacidade é para apenas 130 cortes mensais.'' De acordo com o secretário, mais de 12 mil árvores já foram erradicadas e outras 79 mil plantadas durante os últimos anos da atual administração. Hoje, a Sema conta com 32 servidores para fazer todo o tipo de poda e corte e outros seis técnicos que fazem as avaliações. O atual Plano Diretor do município diz que deve haver uma árvore plantada em cada imóvel ou a cada 12 metros.
Cuidados -
De acordo com a bióloga da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Alba Cavalheiro, não existe uma espécie mais vulnerável ou suscetível a doenças. ''Vai depender muito do local onde está plantada e o tipo de árvore. O habitat urbano é totalmente diferente de uma floresta. As condições de manutenção também implicam diretamente na vida útil.'' Segundo ela, um dos problemas mais recorrentes está na ausência de área mínima (um metro quadrado) de canteiro, fundamental para a infiltração natural da raiz. ''O cimento que quase cobre a base da árvore diminui o seu tempo de vida, pois não deixa a raiz 'respirar', levando ao seu apodrecimento precoce'', destaca.
Outro fator de preocupação é a escolha da espécie. Para a bióloga, deve haver uma orientação técnica antes de se plantar uma árvore. ''Muitas pessoas querem plantar determinada espécie porque é bonita. Mas fatores como altura, queda das folhas e tamanho da raiz devem ser levados em consideração. São fatores que podem afetar a fiação elétrica, calha das casas e calçadas, prejudicando a mobilidade de idosos, deficientes físicos e crianças'', lembra. ''Recomenda-se ainda que não sejam plantadas muitas árvores da mesma espécie no mesmo bairro. Caso uma delas pegue uma doença, a probabilidade de disseminar para as demais é muito grande.''
Para Alba, a observação também é fundamental. ''Os moradores devem sempre ficar atentos ao aparecimento de cupins ou de algumas doenças. Qualquer alteração na árvore ou característica que comprometa o imóvel deve ser reportada ao órgão responsável'', completa.

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