Entrevistas para rádios, jornais, televisão. Telefonemas de parentes e amigos. Professores e funcionários parabenizando pela vitória. A vida de novo reitor da Universidade Estadual de Londrina certamente alterará a rotina do professor de Medicina Veterinária, Wilmar Marçal. Ele e o professor do Departamento de Física, César Caggiano, foram eleitos por votação direta e estarão à frente da instituição nos próximos quatro anos.
Após dormir pouco, uma vez que a apuração dos votos terminou depois das duas horas e logo as oito ele já atendia os primeiros órgão da imprensa, Marçal teve o dia de ontem com agenda cheia. ''Apesar de sempre trabalhar muito e estar acostumado à correria, espero pelo menos voltar às minhas caminhadas e ao futebol com os amigos'', brinca. Ao longo da entrevista à Folha, ele foi revelando um perfil que vai além do candidato em campanha, apesar do tom de discurso ainda persistir.
Wilmar garante que gosta bastante de música - ''sempre falo aos meus filhos: a música é a arte que mais se aproxima do divino'' - e conta que o artista predileto é Milton Nascimento. ''Acho ele bem brasileiro, assim como Chico Burque ou Djavan, de quem também gosto muito''.
Outro assunto do coração é a família, o que destaca o jeito ''paizão'' que aparenta. ''Até meus alunos dizem isso, acredita?''. É casado e pai dos gêmeos Aline e Fabiano, de 16 anos. ''Minha família ia se preparando para qualquer situação. Cada um do seu jeito percebia as eleições. A minha filha mais ansiosa, meu filho mais quieto, mas sempre atento, e minha esposa muito atuante, companheira'', conta.
Em relação à vida acadêmica, ele diz que desde os 18 anos, quando entrou na UEL para estudar veterinária, sempre esteve ligado intensamente à instituição. Confessa, inclusive, que há alguns anos já vislumbrava a possibilidade de administrar a universidade. O professor completaria quatro anos na direção do Hospital Veterinário em outubro, o que diz ter sido uma experiência reveladora: foi a partir desta situação administrativa que percebeu que teria tino para ser reitor.
Na nova função, quer otimizar o acesso da comunidade externa e interna à reitoria e afirma, taxativamente, que não quer ''se encastelar no gabinete''. Da mesma maneira, tambem garante que não aceitará ''qualquer influência partidária''. Uma de suas primeiras batalhas será a reposição das vagas em aberto de professores e funcionários. Também quer melhorias para os laboratórios, sala de permanência de docentes e revisão dos cargos comissionados.
Ainda não definiu a equipe de trabalho por completo e por isso não quis adiantar nomes que já estariam estabelecidos. ''Só garanto que serão pessoas daqui e que serão escolhidas pelo critério de competência e ligação com a área que deverão assumir''. Ele garantiu também que pretende desvincular a Rádio Universidade da Coordenadoria de Comunicação (COM) e que vai ativar o canal de TV universitária que a UEL tem concessão.

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