'O problema é o preconceito'
Segundo a Nova Enciclopédia Barsa, o circo no Brasil começou no século 19, quando várias companhias estrangeiras visitaram o país. Dessas, muitos artistas permaneceram no país e formaram as primeiras famílias circenses ''brasileiras''. Daí em diante, as lonas começaram a se levantar em todo o território nacional.
O circo Maximus nasceu de duas famílias, a de Simone Ribas, 30, do circo Fantástico, e de Ben Hur Vieira, 30, do circo Globo. Ben Hur e Simone se conheceram no picadeiro e acabaram casando. Ainda jovens, aos 20 anos, decidiram que seriam donos do próprio circo. Começaram pequenos e há dois anos fundaram o Maximus, que consideram de porte médio no cenário nacional.
Simone conta que a empresa de lona itinerante não é fácil de tocar. Em cada cidade, alvarás, licenças, inspeções dos bombeiros, aluguel de terreno, instalação de água, luz. A receita para pagar todas as taxas e as 70 pessoas que trabalham para o circo vem das bilheterias. Outras fontes de rendas, como patrocínios, são raras. Uma família de artistas recebe em torno de R$ 2 mil por semana. ''As despesas semanais são de aproximadamente R$ 20 mil'', diz a proprietária.
Com Ben Hur é quase impossível conversar. Ele se divide entre a cidade onde está o circo e a próxima em que se instalará, no caso Maringá, provavelmente em duas semanas. ''É muita burocracia para já deixar tudo certo no próximo município'', explica Simone, que faz números de mágica.
No entanto, ele sempre volta a tempo de se apresentar durante a sessão noturna dos dias de semana. É um dos cinco integrantes do globo da morte. Os dois filhos do casal, Natália, 10, e Ben Hur Jr., 7, também se apresentam. A menina é contorcionista, o menino é palhaço.
Durante a entrevista, feita na varanda do confortável trailer do casal, Simone falou da paixão que desperta a vida circense. Quando questionada se não existe nada que seja uma dificuldade nessa rotina, ela desabafa. ''O problema é o preconceito. Muita gente pensa que somos andarilhos, que não temos direitos. Pagamos água, luz e uma série de taxas de álvaras e impostos. No momento que estamos em uma cidade, somos cidadãos dela. Às vezes nos enxergam também como miseráveis. Não é assim. Dou bom estudo aos meus filhos e moro em uma casa boa. Sou uma madame de circo, como já me disseram'', diz Simone. As placas de todos os automóveis e caminhões do circo são de Maringá, onde a família mantém uma casa fixa para os poucos dias de férias. (W.S.)





