Chegou o dia. Ontem, os 3.050 aprovados no vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) estrearam na nova 'carreira': a de estudante universitário. O primeiro dia do ano letivo foi marcado pela confraternização entre calouros e veteranos. Mas também foram registrados incidentes, como trotes não permitidos nas proximidades do campus.
A ação dos veteranos foi acompanhada por agentes de segurança da instituição de ensino. Câmeras fotográficas e filmadoras foram usadas para registrar o trote. As imagens poderão ser usadas para identificar os participantes e punir os responsáveis. As penas previstas variam de advertência, que fica registrada na ficha do aluno, a repreensão, suspensão e expulsão. A punição mais enérgica registrada recentemente ocorreu em 2007, quando um grupo de estudantes foi impedido de assistir aulas por uma semana.
Na sexta-feira foi feita uma reunião com diretores de Centros de Estudos, representantes dos estudantes, técnicos e do Colegiado. Foram definidos os procedimentos permitidos na recepção aos calouros. ''Tinta, farinha, ovos, obrigar a vestir as roupas íntimas por cima da roupa, tudo isso está proibido'', anunciou o chefe da Divisão de Políticas de Graduação da Pró-reitoria de Graduação Everson Antonio Moro Cazarin. Foram detectados excessos contra alunos de agronomia, direito, medicina veterinária e psicologia.
Por outro lado, os veteranos também optaram por ações educativas, como doação de sangue e coleta de alimentos para instituições de caridade. Esta foi a forma de recepcionar os calouros escolhida pela turma do segundo ano de biomedicina. Os recém-aprovados no vestibular assistiram a palestra sobre o curso e doaram leite, juntamente com os veteranos, para uma instituição de caridade.
''Resolvemos fazer a recepção aos calouros porque o trote é proibido dentro do campus. É mais legal assim'', afirmou a aluna do segundo ano Andreza Buzolin Sônego, 18 anos.
Mesmo ''batizada'' com tinta e farinha, Beatriz Rall Daro, 18, elogiou as boas-vindas. ''Todos se apresentaram e as veteranas disseram que quem precisasse de ajuda poderia contar com elas'', disse a jovem, que veio de Bauru (SP) para cursar psicologia.
Calouro de história, Marcus César de Arruda Peixoto, 31, não percebeu ações desrespeitosas contra os novos alunos. ''A expectativa agora é conhecer a ementa do curso'', declarou o estudante, que pretende atuar como professor. O trabalho em sala de aula também é a meta do recém-aprovado em filosofia Everton Souza Ponce, 22. Dizendo-se ansioso pelas primeiras aulas, o jovem conta que optou pela instituição por tratar-se de uma universidade estadual.
Com a proibição aos trotes violentos, a universidade busca também cumprir objetivos como combater a desistência de cursos ou o trancamento de matrícula por causa da ação de veteranos. Para atender denúncias, cada Centro de Estudos disponibilizou ramais para receber informações. O número geral do Disque Trote é 3371-4363.

mockup