A festinha montada em uma casa do Jardim Jamaica (Zona Norte de Londrina) já corria há algumas horas quando o aniversariante chegou de ambulância. Transferido da maca para uma cadeira de bebê, Pedro Henrique Camargo Biscaia foi recebido com aplausos e arrancou lágrimas de emoção de vários rostos. Não era para menos: o aniversário de cinco anos do pequeno londrinense foi o primeiro de sua vida comemorado fora do hospital.
Pedro viveu quatro anos e meio em uma Unidade de Terapia Intensiva em função de uma paralisia, resultado indireto dos problemas cardíacos que desenvolveu desde o nascimento. Deixou o Hospital Infantil em fevereiro e ganhou todo o suporte de uma UTI em casa, incluindo os aparelhos dos quais depende para respirar. Desde então vem fazendo fisioterapia, descobrindo o mundo, adaptando-se à vida em família e ao lar que sempre o esperou.
Na festa de ontem, Pedro parecia agitado com o grande movimento de adultos e crianças. Não passou mais de 15 minutos na festa, uma recomendação médica por causa da baixa imunidade do garoto. Foi tempo suficiente para que familiares e amigos cantassem parabéns e fizessem uma oração, puxada pelo bisavô do aniversariante. ''Agradeçamos a Deus pela vida desta criança. Ele quis que fosse assim e temos que concordar com ele'', disse José Luiz de Camargo, 86 anos, 11 filhos, 35 netos, quase 30 bisnetos e um coração forte para aguentar a emoção.
Mesmo ciente de que Pedro talvez não perceba tudo que se passa ao seu redor, a família fez questão de caprichar na festa: mesinhas decoradas, lembrancinhas, letras coloridas com o nome do homenageado e bolo de aniversário, como qualquer criança gosta.
''A gente tem grande esperança de que ele saia dos aparelhos um dia e que possa assistir à fita desta festa e saber como sempre foi amado'', comentou Claudemir Biscaia, 31 anos, que não poderia receber melhor presente do Dia dos Pais do que ter o filho por perto. O comerciante lembrou que a família nunca deixou de comemorar os aniversários de Pedro, mesmo no hospital. ''A gente fazia um bolinho, enchia bexiga, enfeitava a UTI. Se tivesse três turnos médicos, eram três festas no dia'', contou.
Depois de acompanhar o retorno de Pedro à ambulância que o levaria para casa, a poucas quadras do local da festa, a mãe, Marlei Cristina Biscaia, 32 anos, fez a avaliação da rápida passagem do aniversariante. ''Foram poucos minutos, mas para mim foi como uma eternidade. A festa foi mais simbólica, para reunir as pessoas que estiveram esses cinco anos com a gente, rezando e torcendo. Foi muito emocionante.''

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