Era a véspera do aniversário de sua mãe. Alex, um garoto peralta de seis anos, marcou a data na memória. Estava mais ansioso que a própria mãe e por isso não conseguia disfarçar a sua felicidade. Como acontecia no seu aniversário, esperava pelos doces e presentes. Até ajudou a mãe a fazer o bolo, lambendo as panelas e colheres.
No tão esperado dia, Alex não se continha. Abria a geladeira, de hora em hora, para ver se estava tudo lá. O pai, vendo a euforia do filho, resolveu dar uma mãozinha. Chamou o moleque de lado e lhe deu duas notas de real:
– Vai lá no R$ 1,99 e compra um presente bem bonito para a sua mãe.
Alex se encheu de alegria. Saiu correndo como um foguete rumo à loja de R$ 1,99. Lá, deparou-se com aquela infinidade de cacarecos. Porta-retrato, bandeja, vela, enfeite de mesa, meia soquete, travessa de plástico, jogo de copo, taça de sorvete. Segurando firme o dinheiro na mão, tentava encontrar o presente ideal para a mãe.
Demorou mais de uma hora para escolher o tal bibelô. O vendedor, emocionado com a intenção do garoto, embrulhou o presente em um papel especial, daqueles brilhantes. Alex saiu da loja com o embrulho debaixo dos braços e um sorriso enorme no rosto.
Chegou em casa, e foi direto encontrar a mãe. Meio sem jeito, deu os parabéns e o presente. A mãe, feliz e surpresa com a atitude do filho, lascou um beijo no filho. Abriu o pacote e se deparou com um carrinho, desses que já vem com um musculoso guerreiro de plástico.
Encabulada e com uma cara amarela, a mãe agradeceu o presente. O menino, que percebeu a atitude da mãe, tratou de fazer uma importante ressalva:
– Olha, se a senhora não gostou, tudo bem. Eu gostei.
Foi o presente preferido de toda a história de Alex.

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