Para os diretores dos dois hospitais que foram procurados pela reportagem, o filantrópico Instituto do Câncer de Londrina (ICL) e o público Hospital Universitário, existe um déficit entre o que é pago pelo SUS e o que é gasto com o atendimento de cada paciente.
''93% dos pacientes que atendemos são do SUS, mas o dinheiro repassado pelo Sistema Único de Saúde corresponde a apenas 85% do nosso faturamento. A tabela está defasada em torno de 20%, principalmente na área de hotelaria hospitalar'', relata o presidente do ICL, Nelson Dequech.
O déficit no faturamento quase obrigou o Instituto do Câncer a fechar as portas no início de 2005. A comunidade foi convidada a colaborar com a instituição e a resposta foi boa. De acordo com informações da assessora de eventos e captação de recursos do ICL, Valéria Canônico, atualmente o hospital ''respira mais aliviado''.
''A comunidade respondeu ao nosso pedido de socorro. Pessoas físicas e empresas de toda a região estão colaborando de forma fiel, porém, isso não significa que não precisamos mais de ajuda. O que o SUS nos paga não é suficiente para atendermos bem os pacientes, por isso continuamos pedindo socorro''.
De acordo com o médico Francisco Eugênio de Souza, superintendente do Hospital Universitário (HU), a procura de pacientes de outros municípios diminuiu com a criação do Cismepar, em 1995, mas ainda continua grande e os casos que chegam são mais complexos.
''Atualmente as cidades da região têm uma estrutura mínima, suficiente para dar o primeiro socorro e manter o paciente vivo. Em seguida, ele é encaminhado para nós. Muitas vezes o custo de um tratamento de qualidade é alto, muito além daquilo que é pago pelo SUS. O prejuízo não fica para a cidade de origem, nem para Londrina, nem para o Estado; fica para o hospital'', reclama Souza.
Questionado se o governo do Estado deve priorizar os investimentos nos pequenos municípios ou nos hospitais das grandes cidades, ele opina que é preciso investir nos dois casos.
''A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) tem um programa bem montado, mas é preciso investimento, e com critérios. Não adianta, por exemplo, montar uma unidade de hemodinâmica ou colocar um aparelho de ressonância magnética numa cidade pequena, pois não vai haver demanda. É importante que estas cidades tenham condições de prestar um bom atendimento básico. Dessa forma, os casos mais complexos virão bem indicados, aí nós damos conta'', finalizou o superintendente do HU. (W.S.)

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