Segundo o médico do trabalho Edcesar Leite, quase todos os que faltam ao trabalho nas segundas-feiras são homens,''atletas de fim de semana que combinam o esporte com o abuso de comida e bebida. Ele cita lesões de joelho e tornozelo e os sintomas da ressaca, como dor de cabeça, diarréia e vômito, como principais consequências do lazer do fim de semana.
''Chefia incompetente, salário baixo e assédio moral também contribuem para um funcionário desestimulado'', elenca o médico, sugerindo que as empresas transformem o ambiente de trabalho, coordenando boas lideranças, oferecendo ao funcionário atividades não mentais, como ginástica laboral, além de salários condizentes. ''Tudo para que ele não encare o trabalho como um tédio, um ônus, mas como uma parte prazerosa do cotidiano.'' Segundo Leite, quando o desgaste se torna crônico, ocorre o chamado embotamento cerebral, e aí o empregado deixa de ser um simples preguiçoso para se tornar paciente.
Para a psicóloga Emirene Tavares de Lima, muitos preferem se fechar em casa às segundas para não enfrentar desafios, lidar com chefe, com prazos e pessoas. ''Enquanto o domingo é decretado dia do lazer, segunda, culturalmente, é o primeiro dia de trabalho, por isso muitos preferem iniciar a semana na terça, quando o ânimo é outro. Quem estende a folga para a segunda quer prolongar o prazer, mas é uma fuga'', explica a psicóloga. Para ela, se o prazer falar mais alto, a segunda-feira nunca vai funcionar. ''Tem muita gente que reclama, mas faz.'' (M.G.)

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