O preço para roçar o mato alto
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quinta-feira, 19 de março de 2009
Mariana Guerin<br> Equipe da Folha 
Londrina - Com o objetivo de conscientizar o morador da importância de manter os terrenos limpos, a Prefeitura de Ibiporã (Norte) criou uma lei no ano passado, dentro do Plano Diretor, que permite a cobrança de R$ 1,00 por cada metro quadrado que a equipe da Secretaria de Obras roçar em áreas particulares.
Este é o maior valor definido pelos municípios da região: enquanto Cambé ainda faz o serviço gratuitamente, Apucarana cobra R$ 0,50 o metro quadrado. Londrina é a única cidade que abdicou do serviço e hoje aplica uma multa, de R$ 0,20 por metro quadrado, aos donos de terrenos baldios.
Conforme a secretária de Obras de Ibiporã, Gimeri Corsini, ao receber uma reclamação, a prefeitura notifica o proprietário, que tem até 15 dias para capinar o terreno. Se o morador não cumprir a determinação e o Município tiver que fazer o serviço de roçagem, a taxa é cobrada. "Se pagar em até 30 dias, são oferecidos 30% de desconto."
Segundo ela, o dinheiro arrecadado é usado para cobrir os gastos com a própria roçagem. "Antes de capinar, fazemos uma foto do terreno cheio de mato para guardar como prova", assinalou Gimeri, informando que a prefeitura conta com uma equipe de seis servidores, responsáveis pela limpeza das áreas públicas, como calçadas, canteiros, praças e jardins.
"Recebemos muitas reclamações de vizinhos e, em 99% dos casos, os terrenos são vazios e pertencem a moradores de Ibiporã que não cuidam da propriedade. Mas não cabe à Prefeitura a roçagem de datas", completou a secretária, reforçando que o serviço municipal de capina e roçagem tem atendido a demanda. "Este ano, por causa da chuva, teve lugar que já foi limpo duas vezes em três meses. É difícil manter, mas temos conseguido resolver os problemas o mais rápido possível", garantiu.
Plantação de milho
Nesta semana, trabalhadores fizeram a roçagem na Vila Romana, bairro de alto padrão em Ibiporã. Eles usaram roçadeiras costais e um trator para limpar um terreno baldio ladeado por uma plantação de milho e uma pequena lavoura de soja, alternativas criadas pelos vizinhos para driblar o matagal.
A vendedora Eliane Porto, vizinha do terreno, foi quem acionou o Município. Segundo ela, há mais de seis meses a área não era limpa e, além dos pernilongos e outros insetos, o mato alto servia de esconderijo para ladrões. "Nem sei quem é o dono", comentou Eliane, que precisou ir até a Prefeitura pessoalmente solicitar a limpeza.
"Toda vez que o mato cresce a ponto de tampar a minha casa eu tenho que ir reclamar na Prefeitura. Se a gente não reclama, eles não cortam", completou a vendedora, que concorda com a política do Município de cobrar uma taxa para roçar áreas particulares. "Se o dono não cuida, alguém tem que tomar uma providência."
Escorpião
Em Londrina, Nelson Manuel da Silva se espantou quando a esposa encontrou um bicho estranho debaixo do sofá da sala: quando olhou mais de perto, se deu conta de que estava com um filhote de escorpião em mãos. Sem saber para quem reclamar, Silva ligou para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e pediu que agilizassem a roçagem do mato no terreno em frente à casa onde mora, no Jardim do Leste (Zona Leste). Sem resposta, ele resolveu guardar o escorpião ainda vivo até que uma providência fosse tomada.
Silva mora no bairro há três anos e sempre vê o mato crescer, sem ninguém se importar. "Dá medo porque o lugar, que já é usado como depósito de lixo, pode ser foco do mosquito da dengue e de outros bichos, além de ser esconderijo para ladrões."
Maringá
Em Maringá (Noroeste), no ano passado, a prefeitura roçou 15 milhões de metros quadrados em terrenos particulares. Lá, a taxa paga pelo morador é de R$ 0,29 pelo metro quadrado roçado. Diferente dos outros municípios, a prefeitura faz apenas uma notificação anual. "O morador tem um mês para limpar o terreno até a Secretaria de Fazenda emitir um boleto de cobrança pelo serviço prestado pelo Município", comentou o secretário de Serviços Públicos, Vagner Mussio. Conforme ele, se o terreno tiver entulho e sujeira, é cobrada taxa de R$ 60 por hora máquina e até R$ 260 por caminhão de sujeira retirado da propriedade.


