Um grupo de senhoras sentadas aguarda pacientemente a sua vez para ter as unhas pintadas. Outras, entretanto, preferem dar atenção à programação da TV, enquanto conversam sobre a trama que envolve a personagem da novela. O que poderia ser a rotina de um salão de beleza, na verdade, acontece também no Asilo São Vicente de Paulo, em Londrina. Além de ter quem cuide das mãos, há voluntários que fazem companhia para os idosos que não desgrudam do tradicional radinho à pilha.
Ao se falar em voluntariado, a imagem de um trabalho desgastante ou, até mesmo impossível, que requeira habilidades superespeciais, ainda prevalece. Na realidade, dispondo de vontade, um pouco de tempo, bom papo e ouvidos atenciosos, muito provavelmente você pode se tornar um voluntário não somente em asilos, mas em qualquer instituição que disponha de vagas.
A corretora de imóveis Solange Azin introduziu o voluntariado há 20 anos em sua rotina. Em atividades esporádicas e prestação de serviços a entidades diversas, no asilo Solange atua há dois anos. ''Isso tem de fazer parte do nosso dia-a-dia. A gente faz o bem pelo bem, sem pensar em receber nada em troca. Queremos incentivar outras pessoas a ajudar o próximo; identificando o que cada um pode oferecer, seja carinho, atenção, uma conversa, pentear o cabelo, cantar, tocar violão, ler uma revista'', aponta.
Em linhas gerais, nem sempre o voluntário em potencial tem a clareza das funções que poderão ser executadas. Foi o que aconteceu com Solange, que na sua rotina percebeu as necessidades da instituição e de como poderia ajudar. ''Cheguei sem saber o que iria fazer. Já limpei e pintei as unhas das senhoras, comprei joguinhos educativos e até fizemos tricô. O que eu percebi é que todos precisam de um incentivo constante para manter a mente ocupada'', comenta.
Para ela, ao fim de um dia de voluntariado, o exemplo de vida é evidente. ''Tenho mais alegria ao realizar outras coisas lá fora. Todo mundo sabe que não deve ficar sem uma atividade física regular e uma alimentação saudável. O voluntariado deveria estar na lista de prioridades de todas as pessoas também'', reflete a corretora de imóveis que, com certa frequência, leva suas netas para acompanhá-la no asilo.

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