O prazer de recriar carros antigos
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Construir réplicas de carros antigos faz parte da rotina do promotor de justiça aposentado Carlos Miranda. A mania começou em 1971, quando fez o primeiro exemplar, um veículo de corrida da década de 1930. Pesquisando em literatura especializada, ele conseguiu adaptar peças de diferentes carros para os padrões feitos no início do século passado. O espelho de uma motocicleta e os pneus de uma caminhonete viraram, depois de muito trabalho e estudo, réplicas do modelo antigo.
O primeiro carro feito foi vendido. Hoje, Miranda tem na garagem a réplica de uma Mercedes 1928, feita através da adaptação de peças mais novas. ''É muito difícil e às vezes impossível achar as originais'', explica. Mas só um olho mais atento para perceber não se tratar de um modelo de fábrica. O cuidado com os detalhes é tanto que até a maçaneta do porta-malas é semelhante à do carro original. E está enganado quem pensa que o veículo fica apenas na garagem. Miranda frequentemente dirige pelos bairros de Curitiba com a preciosidade criada por ele em 1987.
Atualmente o aposentado se dedica à fabricação de um carro de corrida de 1936. Desta vez não vai adaptar as peças, mas sim construí-las. A maior parte da lataria já está pronta, feita com fibra de vidro e massa de poliester. O tamanho dos para-lamas traseiros é maior se comparado com os dianteiros, então o cuidado é grande, são medidos por meio de moldes de isopor. As rodas serão adaptadas de uma raridade encontrada em um ferro-velho. São originais de uma Mercedes 1908. ''O dono nem queria me vender. Mas depois de muito insistir, consegui''.
Na pequena oficina que funciona em casa, Miranda construiu pequenas peças em latão que irão auxiliar na instalação do para-brisa. Tudo seguindo o modelo original. Até uma pequena brecha na parte dianteira, utilizada para resfriar os pés do piloto, será feita. Nas paredes do escritório, o apaixonado por veículos antigos possui diversas imagens do modelo de corrida que está no forno e deve ficar pronto em novembro. A planta original veio direto da Alemanha. Ao custo de R$ 15 mil, quando finalizado o carro poderá valer até R$ 80 mil. Mas vender o modelo não está nos planos de Miranda. O que ele pretende mesmo é dar muitas voltas com o veículo pela cidade. Para isso, a mecânica é mais moderna com peças semi-novas. O modelo inclui amortecedor de fricção, rodas raiadas e volante de camurça.
Uma das coisas que já está pronta para o novo carro é a placa, feita em São Paulo. ''Aqui no Paraná a burocracia é muito grande. Não há estímulo para esse tipo de trabalho. Um amigo demorou cinco anos para conseguir emplacar um modelo construído'', reclama Miranda.
Para quem deseja se aventurar nesse rico mundo automobilístico, ele dá algumas dicas: reunir o maior número de informações possíveis sobre o veículo e ser amigo do mecânico que irá auxiliar na montagem. ''Se não existe amizade com o profissional, não dá. Ele tem que saber o que você quer exatamente para o negócio sair bem feito''.
Construções menores -
A segunda paixão do aposentado é montar miniaturas de aviões militares, hobby realizado desde os 15 anos de idade. São aproximadamente 30 horas de trabalho para deixar uma peça pronta, do chamado plastimodelismo. Mas a dificuldade em conseguir as minúsculas peças é menor, já que elas vêm em kits comprados em lojas especializadas. Já a complexidade pode ser até maior. Mão firme e paciência são fundamentais.


