O prazer da longa espera pelo almoço
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de junho de 2003
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Esperar mais de uma hora pelo almoço não é tarefa das mais agradáveis. Mas no Restaurante Universitário (RU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) é uma festa. Os estudantes fizeram da área verde ao lado do RU um ponto de encontro, de descanso, de estudo, de namoro e de tudo o mais que a espera permitir. O local é democrático e, como nos grandes parques da Europa, reúne várias tribos de estudantes que querem aproveitar ao máximo o espaço ao ar livre.
Todos estão esperando pelo almoço, mas tem os que vão também namorar, as turmas que aproveitam para fazer um joguinho de cartas, outros que levam livros e sanduíches. A maioria aproveita a sombra das árvores, outros, o calor do sol. E até mesmo o sorveteiro viu nessa festa uma oportunidade a mais para incrementar as vendas. Estudantes de música, Alexandre Garcia de Oliveira, de 21 anos, e Edgar Nakandakari, também de 21 anos, aproveitaram o horário de almoço da última quarta-feira para ensaiar um pouco mais depois da aula e levar um som aos estudantes que estavam no RU.
A maioria vai ao local preparada para ficar bastante tempo e para isso levam cangas e panos para se sentar na grama. A gente vem preparada para esperar com o máximo de conforto possível, contam as estudantes do primeiro ano de psicologia, Camila Guadanhin, de 19 anos, e Ana Luísa Testa, de 19 anos. Para elas, a área verde do RU é o melhor lugar da UEL para fazer social, ficar sabendo das festas e paquerar bastante. É bom também porque a gente faz amizade com pessoas de outros cursos, disse Camila.
Boa parte da turma do primeiro ano do curso de arquitetura elegeu o lugar para um relax entre as aulas e aproveita o tempo para jogar truco e colocar as conversas em dia. Para eles, mesmo se não houvesse fila no RU, e a espera não fosse necessária, o local continuaria sendo usado para descansar, dormir e falar mal dos outros. Eu gosto dessa parte do dia, disse Fábio Claus Góis, de 23 anos. Aproxima mais o pessoal, a gente fica mais amigo, complementou a colega Ana Flavia Barreto, de 19 anos.
O casal de namorados Marcela Pialarissi, de 17 anos, e André Luicci, de 18 anos, do primeiro ano do curso de desenho industrial, apesar de aproveitar bem o tempo de espera, mais namorando que estudando, reclamam (e com razão): É muito tempo, uma hora ou mais de espera, e a gente não tem opção, tem que esperar.
As freqüentes esperas em filas de banco ou no ponto de ônibus também poderiam ser assim...


