Esta semana, uma mulher morreu depois de ser atacada no pescoço por um pit bull, supostamente manso, em Itaquaquecetuba, região leste da grande São Paulo. Na semana passada, outro cão da mesma raça mata um viralatas depois de atacar e deixar feridos uma adolescente e um aposentado, em Cascavel. Seria apenas coincidência ou o pit bull é mesmo um cão violento?
O médico veterinário André Luis C. Ramos diz que não. Segundo ele, qualquer cão de guarda, como o pit bull, pastor alemão, rottweiler ou dobermann, pode ser mais agressivo que os demais, porém, isso vai depender de diversos fatores. ''Ainda na ninhada é possível verificar filhotes com atitudes mais agressivas. Outros fatores que podem contribuir são brincadeiras, como deixar ele nervoso, com raiva. Tudo isso, quando ele passar para a fase adulta, fará do cão um animal cada vez mais agressivo'', explica Ramos.
A má fama do pit bull tem chamado tanta atenção para a raça que acaba fazendo as pessoas esquecerem que outros tipos de cachorro podem ser violentos também, como é o caso do chow-chow, um cão de origem chinesa conhecido pela farta pelagem e língua azulada. ''Muitos compram o chow-chow por achar um cão bonito, fofo, mas depois não dão conta de cuidar dele. Na minha clínica tenho vários clientes que trazem o chow-chow para banho e tosa pois não conseguem fazer isso em casa por conta da agressividade do cão'', comenta o veterinário.
Saber escolher o cão certo já é um bom caminho para se evitar maiores problemas com o animal. Ramos explica que alguns cachorros passam a ter comportamentos ''estranhos'' em reação à conduta do dono. ''Por mais que um labrador seja um cão calmo, ele pode não ser boa companhia para uma criança pequena, por exemplo, pois pode machucá-la, sem querer. A alimentação e as condições de saúde do cão também podem influenciar muito no seu comportamento. Um cão com dor ficará mais agressivo. Por isso a importância do dono ter condições de tratar bem do animal''.
A professora Maria de Fátima Oliveira Tufino sabia bem o que queria quando comprou seu segundo pit bull, a cadela Brenda, de quatro meses. Depois de ter sofrido um assalto em sua residência, a professora e o marido resolveram pagar um adestrador para ensinar os cães a cuidarem da casa. ''Quando fui assaltada eu já tinha o Léo (pit bull de oito meses) e na época ele era muito manso, não fez nada. Ele ainda continua bem calmo, mas agora está sendo treinado. Depois vamos treinar a cadela também'', diz.
O advogado Nestor Freschi Ferreira alerta: ''É um direito da pessoa ter um cão em casa, mas não pode extrapolar esse direito. Se esse cão ferir gravemente alguém, atacar um vizinho ou uma criança, o dono pode ser responsabilizado pelos danos materiais ou morais cometidos contra à pessoa. Se o cão matar alguém o dono pode responder até pelo crime de homicídio'', exemplica.
O adestrador Tiago Hirayama, que treina o cão de Maria de Fátima, comenta que muitas pessoas têm procurado adestrar seus animais com o mesmo objetivo. Sobre o comportamento do pit bull, o adestrador garante: ''O pit bull não é mais agressivo que outros cachorros. Ele tem muita energia que deve ser gasta com caminhadas e exercícios. Não importa a raça do cão, o que importa é a personalidade e todo ataque é culpa do dono que não cuida e não educa o animal''.

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