Apesar de todas as normas disciplinares, alguns problemas insistem em acontecer no CDRL. Desde a inauguração da unidade, quatro telefones celulares já foram encontrados em poder dos detentos. O último deles na quarta-feira, dia 24. A suspeita é de que os aparelhos entrem na cadeia levados pelas mulheres dos presos, que conseguem esconder os aparelhos na vagina apesar do rigor da revista íntima. A corrupção de agentes não é descartada, apesar de a direção da unidade considerar praticamente impossível que algum funcionário colabore nesse tipo de esquema.
O encontro do celular motivou a realização de uma revista de inspeção geral, realizada na última quinta-feira e acompanhada pela FOLHA. Nessa ocasião foi encontrada uma pequena porção de maconha com os detentos.
Questionado sobre como proceder para ''fazer a cadeia andar'' na linguagem dos agentes, o diretor do Centro de Detenção, Raul Leão Vidal é enfático. ''O segredo é manter a disciplina, dos funcionários e dos presos. Além disso, o pior inimigo do sistema é a rotina. Por isso, mudamos os nossos procedimentos com frequência e fazemos um revezamento de função e de setores entre os funcionários'', explica.
Para o chefe de segurança Luciano Pereira dos Santos, o segredo é tratar o preso como ser humano, respeitando seus direitos, sem truculência, porém mantendo a disciplina. ''Trabalhamos aqui com o estatuto penitenciário. O preso sabe as regras. Um deslize compromete toda a situação processual dele'', ressalta.
Já o sub-chefe de segurança, Rogério Galbetti, opina que falta uma contra-partida da sociedade para a completa ressocialização dos detentos.
''Aqui no Paraná, as cadeias são ilhas. A sociedade, que tem uma série de problemas, quer que o preso fique aqui para sempre. O que acontece é que na penitenciária o detento encontra dignidade, que vem na forma de psicólogo, assistente social, dentista, médico, enfermeiro, assistência jurídica, educação. Porém, quando ele volta para as ruas, geralmente, não encontra oportunidades'', finaliza Galbetti.(W.S.)

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