O pioneirismo da família Silva
Londrina - Um casal foi fundamental para a construção da Santa Casa. Evangelina Rodrigues e Silva e José Bonifácio e Silva se destacaram na condução do processo de construção do hospital. O cerealista José Bonifácio e Silva possuía um armazém na Rua Benjamin Constant, em frente ao Hospital da Companhia de Terras do Norte do Paraná, onde hoje fica o Pronto Atendimento Infantil. Na época a instituição de saúde atendia os funcionários da empresa e somente algumas poucas pessoas que possuíam condições financeiras para arcar com os tratamentos de saúde, já que todas as consultas eram cobradas. A partir de 1937, o médico Gabriel Carneiro Martins criou um outro hospital para enfrentar um surto de febre tifoide, atendendo os pacientes sem recursos, que na época eram conhecidos como indigentes, mas o prédio era diminuto e não conseguia atender a demanda da época.
A filha de Silva, a socióloga Gladys Lessa, de 81 anos, relembra que o médico Newton Câmara sempre ia ao armazém de seu pai para comentar sobre o número de pessoas que ficavam nas ruas sem atendimento médico por falta de condições de arcar com os custos de tratamento. "Naquela época já havia um movimento para a construção de um hospital, mas ele não ia para frente. Na época chamavam a obra de Hospital de Londrina. Então, meu pai e mais alguns amigos resolveram assumir a obra", destaca.
Gladys revela que a sua mãe Evangelina Rodrigues e Silva, conhecida como Nina, integrava um grupo de senhoras que prestava assistência social a esses indigentes e começaram a promover festas para arrecadar fundos e ajudar na construção da Santa Casa. "A obra foi construída pelo povo de Londrina. Não houve ajuda governamental e minha mãe se dedicou bastante para arrecadar fundos", ressalta.
Ela revela que todos os dias seu pai saía do armazém e ia a pé para ver a construção. "Lá pelas 16 horas ele partia do armazém e se dirigia para a Santa Casa. Era uma regra para ele." Gladys relembra também que ela e seu irmão Lincoln Brazil e Silva frequentavam as obras da Santa Casa. "Quando era criança eu não tinha noção da grandiosidade da obra. Ia lá para brincar. Não tinha ideia do que era aquilo." Ela conta ainda que ajudou a colocar a pedra fundamental da obra.
Depois de concluída a primeira ala, Gladys destaca que seu pai foi o primeiro provedor da Santa Casa de Londrina. "Além de meu pai, havia uma equipe muito boa. Era uma diretoria muito atuante, que possuía entre seus membros o empresário Celso Garcia Cid", acrescenta. A filha do pioneiro recorda-se também, com certa nostalgia, das festas de Natal que eram realizadas no hospital. "As irmãs de Schoenstatt sempre me davam biscoitos vindos da Alemanha."
Gladys cita que seu falecido irmão Lincoln Brasil e Silva se formou em medicina em São Paulo por influência indireta do pai. "Meu irmão contava que foi se envolvendo com a medicina pelo que o papai comentava sobre o trabalho na Santa Casa, mas o meu pai nunca o forçou a cursar medicina", ressalta. Há cinco anos, quando sua mãe ficou doente, manifestava o desejo de ser atendida na Santa Casa. "Nem sempre os médicos podiam interná-la ali, mas quando ela morreu fiz questão que a missa de sétimo dia fosse realizada na capela da Santa Casa. Ela dizia que se sentia em casa por lá", relembra.
José Bonifácio e Silva foi provedor do hospital em 1950/51, e passou para a história como um de seus principais beneméritos. (V.O.)





