Quem vê bailarinos em cena, com corpos esculturais e posturas exemplares não imagina as dores e sacrifícios da profissão, que exige horas de ensaio diariamente. Por conta dos exercícios, as lesões são relativamente comuns e, procurando minimizar essas ocorrências, os bailarinos da Companhia Ballet de Londrina recorrem à prática do pilates.
''Em 2008, quando programamos a reforma do prédio já pensamos nas aulas e na compra dos aparelhos de pilates. No ano passado finalmente conseguimos implementar as aulas para os bailarinos, alunos e também para a comunidade. É um trabalho de apoio muito importante, traz maior preparo físico, que ajuda na prevenção de lesões'', explica o diretor da Companhia, Leonardo Ramos.
Segundo ele, a prática de pilates por bailarinos é antiga. ''Os grandes centros já usavam, mas era uma modalidade muito cara, com aparelhos importados. A própria formação dos instrutores é cara e por isso não disponível para todos. Agora está mais acessível'', destacou. Há aproximadamente oito meses os bailarinos têm aulas uma vez por semana.
Paula Beggiato Mezzaroba Manarin foi bailarina clássica e agora, como fisioterapeuta, é a instrutora de Pilates do elenco. ''Como já dancei sei como é o dia a dia deles, as necessidades do elenco. Adapto um pouco as aulas, mas basicamente eles fazem os mesmos exercícios que qualquer aluno. Apenas busco ajudá-los a aperfeiçoar o corpo e assim prevenir lesões'', explicou.
Mesmo direcionando as aulas, Paula afirma que o objetivo maior é que os bailarinos façam exercícios ''para a vida''. ''Percebo, como fisioterapeuta, um aluno que tem escoliose, por exemplo, e posso ajudar em relação a isso. Um bailarino que tinha queixas frequentes de dores no ombro já está bem melhor, porque agora sabe como se posicionar para conseguir o mesmo efeito. O mais importante é a qualidade de vida'', conta.
Carina Corte, integrante da companhia há 10 anos, destaca que o pilates trabalha bastante com o tônus muscular e o abdômen. ''Nos deixa preparados para os movimentos de força e impacto. Tenho sorte de não ter facilidade para lesões, nunca tive nenhuma, mas sinto que estou com mais equilíbrio, estou saltando melhor'', salienta.
Os benefícios dos exercícios ela já percebeu em casa, antes de começar as aulas. ''Meu pai tem Parkinson e há dois anos pratica pilates. O médico ficou impressionado, devido ao grau da doença, dele ainda dirigir e conseguir caminhar como faz.''
A bailarina afirma sentir dor após as aulas como qualquer aluno, mesmo estando habituada a uma rotina de quatro horas diárias de ensaio e aulas de balé. ''Mas vale a pena, tenho outra percepção dos músculos agora, a impressão é que o pilates trabalha de dentro para fora.''
José Maria Almeida, bailarino da companhia há seis anos, concorda com a colega. ''Sinto que o pilates trabalha músculos mais internos. O exercício abdominal é muito diferente daquele que aprendemos em academia, por exemplo; sinto que esses são muito mais eficientes, embora façamos em menor número'', diz. Para ele, as mudanças foram principalmente no fortalecimento do corpo. ''Me sinto sortudo por ter pilates como parte da minha rotina de trabalho'', finaliza.
Comunidade
Aproveitando a oferta de vagas também para a comunidade, o professor de teatro da Funcart, Silvio Ribeiro, também se tornou um adepto da modalidade. ''Nunca gostei de fazer exercícios físicos, tentei academia, por recomendação médica, mas me encontrei no pilates. É possível sentir o resultado bem rápido, isso te empolga porque as pessoas comentam e a gente percebe a redução das medidas. A junção 'força e flexibilidade' é ótima'', pontua.
Até no trabalho ele já está usando as técnicas do pilates. Professor de técnica vocal Ribeiro conta que agora consegue explicar muito melhor para os alunos os benefícios e a importância de uma respiração correta. ''O nosso alongamento também é feito de outra maneira agora, muito melhor.''
Serviço - Mais informações sobre o Curso Livre de Pilates da Fundação Cultura Artística de Londrina pelo fone (43) 3342-2362.

mockup