O pesadelo de Celina e Beatriz Abagge
Taxadas de bruxas durante anos, é provável que mãe e filha tenham que carregar essa denominação para o resto de suas vidas. Hoje, as duas levam uma vida normal e consideram que o trabalho jornalístico de Vânia Wetel, foi uma luz no fim do túnel. Não tínhamos mais esperança, quando ela chegou e começou a mudar os fatos, comentam.
O pesadelo para Celina e Beatriz Abagge começou em abril de 1992 com a investigação do desaparecimento do menino Evandro Caetano, de apenas sete anos, em Guaratuba. O suposto envolvimento das duas e de outros cinco homens no caso, foi levantado por Diógenes Caetano dos Santos Filho, primo do pai do garoto e que na época era funcionário da prefeitura. Foi Diógenes quem elaborou a lista com os sete nomes, entregues ao Ministério Público, que deu início às investigações.
Celina conta que no dia do desaparecimento do menino (6 de abril de 1992), ajudou nas buscas junto com a família da criança. Ocupando o cargo de primeira dama, além de ser mãe e avó, foi solidária à família do garoto, que segundo ela, estava desesperada.
Dois meses depois, as acusações sobre o desaparecimento da criança se voltaram contra Celina e uma de suas filhas. Houve uma confusão. Beatriz é espírita e se interessava por búzios. Acho que isso teve influênica para que toda essa história fosse armada, relembra Celina.
Foi um pesadelo. Todo mundo acreditava naquela história absurda. Levadas para um sítio em carros descaracterizados das Polícias Militar e Federal, que assumiram a investigação, as acusadas contam que foram torturadas por policiais que exigiam a confissão. Diga que você matou o menininho; e eu dizia: matei o menino com a serra, relatou Celina, que alega ter dito isso porque ficou com medo de morrer. No processo, ficou comprovado que a casa onde as duas foram torturadas pertence ao pai de Diógenes Caetano.
Na volta para o Fórum de Guaratuba, uma multidão já se concentrava na porta, exigindo punição para as acusadas. Tivemos nossa casa depredada, fomos torturadas, humilhadas, mas conseguimos superar tudo. Hoje, faço questão de comparecer ao novo julgamento com minha filha para que provemos mais uma vez nossa inocência, garante Celina.
Um novo julgamento sobre o caso está marcado para o dia 16 de maio. O pedido foi feito pelo Ministério Público (MP), que recorreu da sentença que absolveu as rés. O MP alega que os jurados julgaram contra as provas dos laudos. O Tribunal de Justiça acatou a decisão, mas os advogados de Celina e Beatriz Abagge recorreram. O recurso está em Brasília.(M.O.)





