O perigoso destino dos remédios
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Micaela Orikasa<BR>Reportagem local 
Há duas semanas, a dona de casa Alexandra Souza fez uma limpeza em sua farmácia particular. Mãe de três filhos, Alexandra tem em casa, uma gaveta destinada só aos medicamentos. ''Os que estavam vencidos, joguei no lixo, pois não sabia o que fazer'', disse.
A falta de destino para o descarte de remédios de uso domésticos, que estão vencidos ou que simplesmente não são mais usados foi tema da reunião realizada ontem pela manhã na Associação Médica de Londrina. Segundo dados apresentados na reunião, 20% de todo medicamento produzido no país são descartados indevidamente. Pensando nisso, a bióloga e docente da Unifil, Lázara Caramori, iniciou estudo que acabou subsidiando o Projeto Descarte Responsável de Medicamentos em Desuso, com a participação da bióloga Alessandra Duim.
''Queremos iniciar um trabalho de educação ambiental, alertando a população sobre as consequências à saúde humana e a degradação do meio ambiente. Em primeiro lugar, devemos elaborar uma campanha de conscientização ressaltando que os remédios em desuso não devem ser descartados no lixo'', diz Lázara.
A iniciativa está sendo coordenado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento da Saúde e Ecologia (Indese) e pela promotoria municipal do Meio Ambiente. ''Distribuidores, farmácias, laboratórios, clínicas e hospitais já sabem do dever de destinar corretamente os medicamentos, mas a população ainda não. A intenção é criar uma forma de recolher esses medicamentos em locais de saúde, mas principalmente nas farmácias'', afirma Solange Vicentin, promotora do Meio Ambiente.
O presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, Fernando Barros diz que Londrina não possui legislação específica sobre descarte. ''É nisso que iremos trabalhar em conjunto com a Câmara. A ideia é criar uma legislação municipal'', ressaltou.
De acordo com a professora, os medicamentos são considerados contaminantes ambientais emergentes e podem causar diversos efeitos em seres humanos, plantas e animais, quando são descartados no meio ambiente e, principalmente, na rede de esgoto. ''Nos humanos, podem causar câncer de mama, testículos, próstata, entre outros. Já nos animais, foi detectada feminilização de peixes e alterações em insetos e plantas'', diz.
Segundo Lázara, já foram detectados a presença de antibióticos, hormônios, depressivos, anti-inflamatórios e até anestésicos nas estações de tratamento de esgoto. ''Esses componentes têm potencial para resistir aos processos de tratamento de água convencional'', afirma. Uma próxima reunião será agendada para determinar o processo e desenvolvimento da campanha.


