O perigo ronda as borracharias da cidade
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terça-feira, 12 de novembro de 2002
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Em Londrina, a profissão de borracheiro nunca pareceu tão perigosa quanto nas últimas semanas. De um mês para cá, dois funcionários de borracharias da cidade morreram em explosões quando manipulavam pneus de caminhão. Na semana passada, um borracheiro de uma oficina nas imediações do parque Ney Braga (zona oeste) quebrou um dedo ao trocar o pneu de uma empilhadeira boatos dão conta que o borracheiro estaria morto se trabalhasse com um pneu de caminhão.
Os três casos chamam a atenção para as condições de trabalho da categoria. Por sua vez, os caminhoneiros, fregueses das borracharias, dizem que os acidentes decorrem da falta de segurança nestes locais. ''O pneu nunca estoura sozinho. O que solta é o friso que o prende, o aro, as rodas. O que acontece é que são raríssimas as borracharias em Londrina com equipamentos adequados. Existem chapas e travas que prendem o pneu e protegem o borracheiro. Apenas as grandes (borracharias) utilizam estes dispositivos'', afirma Carlos Roberto Dellarosa, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Londrina e Região (Sindican).
Segundo ele, os pneus que chegam às mãos dos borracheiros também estão cada vez mais em pior estado, já que as estradas esburacadas trincam rodas e diminuem a vida útil dos frisos. ''Existem muitos caminhões antigos nas estradas, com mais de 20 anos. Mas isso não é desculpa para estes acidentes. As borracharias deveriam utilizar estes equipamentos de segurança e tomar certas precauções, como colocar pouco ar no pneu, ao invés de 110 libras, pois o próprio rodoar (peça do caminhão) trata de completar o ar'', afirma Dellarosa.
O presidente também afirma que são poucos os caminhoneiros que andam com equipamento deteriorado. ''A maioria prefere andar com tudo certo, embora seja mais caro. Um pneu (de caminhão) custa mil reais. E tem veículos com 18 pneus. Mas só os 'rasga-lona', caminhoneiros para frete pequeno, com raio de 10, 15 quilômetros, andam com pneus e rodas gastas. Por que um profissional que anda muito vai andar com material desgastado? O caminhão dele pifa no meio da estrada e ele não vai ter quem chamar'', explica Dellarosa.
O borracheiro José Ramos da Paiva Filho, o 'Zezão', discorda e afirma que os acidentes com borracheiros são causados justamente pela insistência dos caminhoneiros em realizar ''gambiarras''. ''Meu filho é caminhoneiro, sei que é caro manter um veículo bom. Uma roda nova custa R$ 230. Além disso, subiu o diesel e baixou o frete. Muitos preferem remendar o que têm a comprar equipamento novo'', afirma Zezão.
O borracheiro explica que já estouraram muitos pneus na sua mão como prova, tem o braço direito cheio de cicatrizes. Quando o fotógrafo pede que ele levante uma roda com uma rachadura de 30 centímetros para tirar uma foto, ele se desculpa dizendo que os acidentes fizeram com que ele perdesse força nos braços. ''Estes acidentes acontecem direto. Todas as vezes em que estourou pneu na minha mão, não foi culpa minha'', garante Zezão. Segundo o borracheiro, as medidas de segurança sugeridas por Dellarosa não bastam: ''Já vi casos em que, mesmo usando a grade, o pneu explodiu. Ser borracheiro está ficando perigoso. Nos obrigam a fazer cada coisa que até fico com medo de olhar''.


