Em alguns bairros da cidade, atravessar uma viela para ''cortar o caminho'' pode não ser a melhor escolha, principalmente à noite. No Parque Ouro Branco (Zona Sul) moradores reclamam que neste período a via estreita é utilizada por usuários de drogas. ''A molecada fica a noite inteira fumando maconha e tirando o sossego da gente'', reclama Manoel dos Santos.
Localizada no meio da viela, que liga as ruas Gerânio e Flor dos Alpes, a residência de Manoel já até virou alvo dos vândalos. ''Eles começaram a jogar bombinhas e, com isso, queimaram parte do sofá. Nós moradores estamos sem segurança nenhuma, pois a polícia passa mas não faz nada'', comenta.
Outra moradora, que não quis ter a identidade revelada, garante que a violência no local inibe os moradores. ''Teve um dia que a molecada até armou uma cabaninha e ficou a noite toda fazendo bagunça. É um absurdo, pois moro aqui há dois anos e nunca tive coragem de atravessar a viela'', diz. Segundo a moradora, a presença da polícia não resolve o problema. ''Quando eles passam por aqui, não fazem nada. Para mim, a melhor solução é fechar a viela'', aponta.
E foi com essa idéia que os moradores do Jardim Shangri-Lá A (Zona Oeste) compraram a viela, que liga as ruas José de Alencar e a Emílio de Menezes. Moradora da região há mais de 20 anos, Doroty Perez Cernach conta que a iniciativa foi dos vizinhos de muro da viela. ''A situação chegou ao extremo. A qualquer hora tinha gente usando droga ou se prostituindo. Ninguém quer morar ao lado de um lugar assim'', justifica Doroty.
Segundo o gerente de Bens Móveis e Imóveis do município, Ildeu Pereira da Silva, devido à violência e por ser um local de fácil acesso de ladrões, as pessoas mostram interesse em comprar vielas. ''É enviada uma comissão de avaliação que irá verificar se há a possibilidade de compra e o valor de venda'', afirma. Silva também explica que quem for pego tentando fechar a viela com muros ou grades será intimado, podendo responder até por apropriação indébita.
O porta-voz da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, afirma que já foram feitas diversas abordagens nas vielas do Parque Ouro Branco e do Jardim Shangri-Lá A, e afirma que as rondas serão intensificadas. ''Mesmo assim, contamos com a participação dos moradores, que devem continuar denunciando através de 181'', comenta.

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