O perigo que corta o céu
A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) está distribuindo às coordenadorias regionais (Coredec) documento denominado O perigo que corta o céu. O objetivo é disseminar orientações entre a população para prevenção de acidentes durante tempestades, como os provocados por energia elétrica e raios. A Cedec chama a atenção também para a utilização dos pára-raios com elementos radioativos, que precisam ser substituídos porque foram proibidos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) devido o risco às pessoas.
Nas últimas semanas ocorreram várias mortes no Paraná de pessoas atingidas por raios ou descargas de rede elétrica durante tempestades. No caso de redes, os acidentes acontecem geralmente quando a fiação cai sobre cercas. Os raios atingem principalmente áreas descampadas ou onde hajam árvores altas e isoladas ou estruturas metálicas, que os atraem. Podem ter potência de 15 mil ampéres, 50 vezes superior a de um chuveiro elétrico. Estima-se que anualmente mil pessoas sejam atingidas por raios no País, e há grandes prejuízos materiais com queima de aparelhos eletrodomésticos e outros.
Orientações para prevenção aos acidentes contra as descargas atmosféricas feitas pela Cedec são semelhantes às de um boletim especial do curso de engenharia agrícola da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. O autor, professor Celso Eduardo Lins de Oliveira, observa que as descargas incidem principalmente em áreas rurais, que predominam na grande extensão territorial do Brasil, e nelas raramente há proteção (pára-raios). Entre as orientações básicas, a principal é permanecer sob cobertura (dentro de casa) e evitar a proximidade de elementos metálicos e elétricos, durante tempestades.
Utilizar telefone ou recolher roupas em varal de arame, só em emergência absoluta, porque os raios podem alcançar a linha telefônica ou o varal. Quem for surpreendido em área descampada deve evitar pontos altos do terreno ou proximidade de árvores altas e isoladas (que atraem raios).
O professor Celso de Oliveira observa que o tipo indicado é o Franklin, que se baseia no princípio das pontas. Além de evitarem o acúmulo de carga em nuvens próximas, em caso de ocorrência de descarga, as pontas a atraem e escoam a energia para a terra, através do cabo ao qual são conectados.
Alceu Correia de Souza, instalador de pára-raio em Cascavel, com 24 anos de experiência, relata que os equipamentos que utilizam elementos radioativos, além do perigo representado pelo componente, não protegem adequadamente. Mesmo assim, os radioativos ainda existem e em grande quantidade sobre casas e prédios.
Souza, um dos poucos profissionais do setor na cidade, observa também que, apesar das tempestades serem comuns, é pequeno o número de pessoas que se interessa em instalar pára-raios. Mensalmente, ele instala uns cinco ou seis. O custo médio de um equipamento apropriado para residências é R$ 650,00.Edson MazzettoAlertaAlceu Souza tem 24 anos de experiência em instalação de pára-raios: os equipamentos que utilizam elementos radioativos, além do perigo, não protegem adequadamentePaulo Pegoraro





