Na virada de ano de 2011 para 2012 um garoto de apenas dez anos, morador do Conjunto Lindóia (zona leste de Londrina), sofreu um acidente grave ao soltar um rojão. Ele teve fraturas em quatro dedos da mão direita e queimaduras graves na parte superior do corpo e no rosto. O caso do garoto não é isolado. A cada ano o número de pessoas que se acidentam com fogos de artifício só tem crescido. Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e a Associação Brasileira de Cirurgia de Mão, o registro de acidentes com fogos de artifício aumenta cerca de 30% ao ano.
O ortopedista londrinense Paulo Marcel Yoshii, membro do SBOT, conta que já atendeu uma menina que estava abrindo um rojão que, mesmo apagado, explodiu, resultando na perda de um dedo. Ele explica que o manuseio incorreto dos fogos de artifício pode resultar em queimaduras, fraturas e amputação de membros. ''O reimplante em casos de explosão é raríssimo, pois não há um corte linear como o de corte por lâmina. Eles ficam todos irregulares'', informa.
O médico explicou que a consequência mais comum é a queimadura. ''As pessoas não devem usar receitas caseiras, como colocar creme dental, pó de café, clara de ovo ou babosa no local queimado'', alerta, justificando que há o risco de infecção e de agravamento do problema. Ele orientou as pessoas a lavar o ferimento, colocar uma compressa e procurar o pronto-socorro de um hospital o mais rápido possível. O mesmo procedimento deve ser adotado em caso de fratura dos dedos ou da mão. Caso algum tecido ou outro material grude no ferimento, ressalta Yoshii, a pessoa não deve tentar retirá-lo, pois há o risco de agravar o problema.
Quando ocorrer uma hemorragia, Yoshii orienta as pessoas a colocar uma toalha e comprimir até estancar o sangramento. ''A compressão ajuda na coagulação, mas se a pessoa passar água pode voltar a sangrar'', explica. Para aqueles que forem atingidos nos olhos, a orientação é limpá-los com água corrente, fazer um curativo com gaze e soro e procurar auxílio médico. Nos casos de surdez provocada pela explosão, Yoshii recomendou a consulta com um otorrinolaringologista.
Em Londrina, o Hospital Universitário (HU) atendeu oito casos de acidentes com fogos de artifício neste ano, sendo dois encaminhados para o Centro de Tratamentos de Queimados (CTQ), que funciona há cinco anos na unidade. De acordo com o chefe do Serviço Médico de Queimados do HU, Reinaldo Kuwahara, os ferimentos causados por fogos de artifícios sempre são graves e as sequelas, definitas.
''Pode ser desde uma cicatriz até a perda permanente da função do membro afetado. Além das sequelas, existe um abalo psicológico muito grande na vítima, principalmente quando atinge áreas aparentes como a face e, nas mulheres, próximo ao seio'', diz Kuwabara, ao ressaltar que o CTQ conta com uma equipe multidisplinar com psicólogos, assistentes sociais e psiquiatras.
Comércio
O comerciante de fogos de artifício Odair dos Santos explica que todos os fogos de artifício são comercializados com instruções na caixa, que devem ser lidas antes do uso. ''Hoje em dia não precisa mais soltar os rojões na mão. Existem suportes que vem junto com a caixa e que devem ser utilizados'', afirma. Ele recomenda uma distância de 20 metros do rojão depois que ele for aceso e, no caso de falha, orienta jogar água para inutilizar o artefato. ''Não se deve, em hipótese alguma, tentar reacendê-lo ou reaproveitar montando outro'', enfatiza.
Santos explica que os fogos de artifício são feitos com um material que pode ser ativado pelo contato, pelo impacto ou pela fricção. ''Muita gente corta o rojão que falhou com uma faca, mas ele pode explodir na sua cara com a fricção da faca'', destaca.
As pessoas também devem evitar soltar fogos em meio à multidão. ''A pessoa que for soltar fogos de artifício não deve ingerir álcool de maneira nenhuma. Já vi casos de pessoas embriagadas que soltaram o rojão com a boca voltada para ele mesmo'', relembra. Caso a pessoa queira fazer uma queima grande de fogos, a orientação é contratar um pirotécnico, também conhecido como blaster. ''Nesses casos não é aconselhável fazer a montagem sozinho.'' (Colaborou Micaela Orikasa)


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