O perigo dos bichos peçonhentos no verão
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terça-feira, 04 de dezembro de 2012
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
A aparição de cobras, aranhas, escorpiões e taturanas aumenta nesta época do ano e incomoda moradores de bairros próximos a fundos de vale e com mato alto. Segundo levantamento realizado pela Unidade Técnica de Vigilância de Zoonoses do Ministério da Sa© úde, houve um crescimento de 157% no número de notificações, nos últimos 10 anos. Somente em 2011, ocorreram mais de 139 mil acidentes, com 293 óbitos.
Em Londrina a situação não é diferente. O operador de máquinas Renan Gamaliel quase entrou para essa estatística quando resolveu tirar do lugar a máquina de lavar roupas de sua casa, no Jardim Tarobá (zona sul), ao lado de um fundo de vale. ''Eu encontrei uma jararaca, que estava escondida debaixo da máquina'', relatou. O temor maior de Gamaliel foi a possibilidade dessa cobra picar a sua filha de um ano e meio. Ele revelou que o problema é recorrente e que no asfalto em frente à sua casa é possível encontrar cobras mortas com frequência.
Sua vizinha, a dona de casa Marlene Lúcio de Godoy, também já encontrou uma cobra no quintal de sua casa. Além das cobras, existem outros bichos que atormentam a vida de Marlene. Ela destacou que já encontrou aranhas-armadeiras no quintal de casa, mas que nunca foi picada.
No Jardim Monte Belo (zona sul) o motoboy Robson de Melo relatou que também encontra vários tipos de bichos, como taturanas, escorpiões e aranhas. ''Semanalmente eu preciso matar vários deles que aparecem no meu quintal'', relatou. Ele já sabe que em caso de picada deve ir correndo até a unidade de saúde ou hospital mais próximo. ''Eu sei que eles pedem para levar o bicho junto para facilitar a identificação e o tratamento'', observou.
Há quem lide com o problema todos os dias. O lavrador Antônio Leite sempre corta o mato de terrenos baldios do Jardim Califórnia (zona leste) para alimentar o cavalo que puxa a sua carroça. Ele contou que na região existem muitas aranhas e escorpiões. ''Os escorpiões ficam escondidos no meio da madeira e as aranhas ficam no mato mesmo.''
Perto dali, na Rua Charles Lindenbergh, a dona de casa Neide Figueiredo afirmou que toma certas precauções, como dedetizar a casa e colocar um saco de areia comprido na parte de baixo da porta para evitar a entrada de aranhas. Sua casa é vizinha ao Parque Arthur Thomas, local que possui muita vegetação e bichos.
Desequilíbrio
Os especialistas apontam que entre as causas do problema estão o desequilíbrio ecológico e as chuvas que desalojam os animais entocados, justamente em uma época que coincide com o período reprodutivo de alguns desses animais. O coordenador da Unidade Técnica de Vigilância em Zoonoses do Ministério da Sa© úde, Eduardo Caldas, explicou que eles acabam procurando abrigo em locais mais secos, muitas vezes dentro de residências, aumentando, dessa forma, a chance de ocorrência de acidentes.
O coordenador lembrou ainda que nesse período também aumentam as atividades nas lavouras, locais propícios para os acidentes com cobras. Ele citou outros cenários que corroboram para este aumento: ''No verão, as pessoas aproveitam suas férias em atividades ao ar livre, como passeios em cachoeiras e trilhas, aumentando, assim, o risco de contato com serpentes e outros animais peçonhentos.'' (Com informações do Ministério da Saúde)


