O perigo do ataque camuflado da pneumonia
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segunda-feira, 03 de julho de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Algumas doenças, quando andam meio sumidas - da mídia, principalmente - parecem que deixam de existir. Um engano que pode ser grave. O aposentado João dos Santos (nome fictício), de 57 anos, sabe bem como isto pode ser perigoso. Num domingo à noite, depois de muito reclamar do resfriado que não passava, foi ao hospital. Exames feitos, saiu o dignóstico: pneumonia. E das graves. Imediatamente foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde ficou por dois dias. ''Não estava com risco de morte, mas precisava de tratamento emergencial. A internação na UTI foi apenas para proteger de qualquer contaminação hospitalar'', esclarece.
História semelhante teve a estudante Nathalia Monti Arone, 17 anos. A pneumonia era uma daquelas doenças que ela nunca imaginou que teria. ''Achava que era uma gripezinha. Depois que a gente vai ao médico, faz o raio-x, é que descobre a gravidade da doença'', analisa. De acordo com os dois, os sintomas - depois de identificada a enfermidade - são claros: febre alta e constante, dores pelo corpo e ao respirar, tosse com bastante secreção. ''O corpo fica tão mole que não consigo fazer nada'', reclama a jovem, que ainda está em recuperação.
O pneumologista, Alcindo Cerci Neto confirma os sintomas descritos pelos pacientes, mas ressalta que esta é uma doença com muitas variáveis. ''Ela pode ser viral ou proveniente de bactérias. A contaminação pode ser interna ou externa. E o grau bacteriológico ou virológico é variado, e determinante para o diagnóstico e tratamento'', afirma.
Ele explica que a forma mais fácil de reconhecer a doença é perceber se aquele estado gripal inicial está mais intenso. A tosse deixa de ser seca e passa a ter secreção, a febre fica mais alta e constante, e o peito começa a doer.
A pneumonia é uma infeccção pulmonar causada por um enfraquecimento do sistema imunológico. ''Normalmente o paciente evolui da gripe para uma infecção de garganta. Em casos mais acentuados, vai para a pneumonia'', afirma. Ele esclarece que a contaminação por vírus é menos comum, mas também a menos perigosa. A bacteriana é mais popular e costuma atingir idosos e crianças, pois nestas faixas etárias é comum o sistema imunológico estar mais debilitado.
A contaminação bacteriana pode acontecer a partir das próprias bactérias do sistema respiratório e digestório do paciente. ''Há também a contaminação externa, mas é menos comum. Isto faz com que a pneumonia não seja uma doença de fácil transmissão'', garante o médico. Por não ser contagiosa, não é de notificação obrigatória para a Secretaria Municipal de Saúde. Por isso o município não tem dados específicos sobre a incidência da doença na cidade. No Hospital Universitário, sete pacientes ficaram internados em função da pneumonia, durante os dias 19 e 30 de junho.
O médico Alcindo Cerci Neto alerta para que as pessoas fiquem atentas para a evolução das gripes e resfriados, tão comuns nesta época do ano. Pessoas que já apresentam doenças respiratórias crônicas, como rinite, bronquite, asma ou enfisema pulmonar, devem redobrar os cuidados, segundo o pneumologista.
O nome do aposentado João dos Santos foi preservado a pedido dele, pois os filhos, que moram em outro município, não sabem do estado de saúde do pai, que já saiu do hospital e está com a doença controlada.


