Não é a primeira vez que a aposentada Zaira Bravin Pereira, 82 anos, vai parar no hospital vítima de uma queda. No final do ano passado ela caiu sozinha quando passava a tarde de domingo na casa da filha e quebrou o fêmur direito. Há cerca de 15 dias ela teve o mesmo osso fraturado, consequência de um tombo em casa. Ela limpava o chão quando tropeçou com o chinelo de dedos. ''Senti uma dor muito forte.'' A aposentada está internada na Santa Casa de Londrina, onde precisou passar por uma cirurgia, mas passa bem.
Zaira engrossa as estatísticas de acidentes domésticos envolvendo idosos, que são mais comuns do que se imagina. Com o passar dos anos, além de perderem o reflexo e a falta de mobilidade, a maioria é resistente em mudar alguns hábitos que poderiam evitar a maioria das quedas que, em alguns casos, pode ser fatal.
Chateada com o acidente, a aposentada lembra que depois do primeiro tombo familiares já vinham alertando para que não usasse mais chinelos de dedo em casa. ''Eles falavam pra eu não usar, mas a gente acostuma e não acha que pode acontecer alguma coisa grave'', comenta.
Só este ano, a Central de Atendimento do Corpo de Bombeiros (Cobom) de Londrina registrou 148 ocorrências de quedas na cidade. Destas, 66 envolveram pessoas com idades acima de 60 anos e outras 45 acima de 70. Durante todo o ano de 2008, foram registrados 966 ocorrências de quedas de mesmo nível. Destas, 51 foram de pessoas com idades entre 60 a 64 anos; 71 casos eram de pessoas com idades entre 65 a 69 anos e 269 casos envolveram idosos com mais de 70.
O relações públicas do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Massayuki Nakamura, explica que os idosos são pessoas mais propensas a esse tipo de ocorrência e que geralmente quando se envolvem nesses acidentes acabam se ferindo de forma grave pela fragilidade que apresentam. ''Muitos já apresentam quadros de osteoporose e têm movimentos lentos. São um problema bastante comum as quedas dentro de casa, que poderiam ser evitados com algumas adequações na residência'', diz.
Fragilidade
O enfermeiro Gilberto Vicente Berg é coordenador de Medicina Preventiva do Hospital Evangélico de Londrina e especialista em atendimentos que envolvem feridas e traumas. Segundo ele, fraturas de fêmur ainda são os mais comuns, mas ferimentos graves nos braços e antebraços também ocasionam lesões significativas. ''Eles tentam se segurar em alguma coisa na hora que está caindo e acabam fraturando os braços. Alguns idosos chegam aqui com o corpo todo roxo, parece até que levaram uma surra porque eles são mais frágeis. O idoso precisa ter uma casa mais segura pra viver sem riscos.''
Ainda segundo o enfermeiro, além dos ferimentos nos idosos demorarem mais tempo para cicatrizar, qualquer tipo de queda sempre será mais grave de que se fosse com pessoas mais jovens. ''Já atendi caso de um idoso que caiu no banheiro de casa e chegou a sofrer traumatismo craniano. É uma demanda muito grande de casos e por isso é necessário que a família estimule o idoso a praticar exercícios físicos para fortalecer sua musculatura e promover o equilíbrio. Também é importante providenciar adequações em casa para que ele não seja alvo fácil de quedas'', explica.

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