No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, todos os anos os acidentes ou lesões não intencionais representam a principal causa de morte envolvendo a faixa etária de 1 a 14 anos. De acordo com dados do órgão federal, cerca de 6 mil crianças e jovens de até 14 anos morrem e 140 mil são hospitalizadas anualmente, números que configuram como uma séria questão de saúde pública. Além disso, estimativas apontam que a cada morte, outras quatro crianças ficam com sequelas permanentes.

Para a coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Vita Curitiba, a médica Lygia Coimbra de Manuel, esse número deveria ser reduzido, já que estudos mostram que 90% dessas lesões podem ser evitadas com atitudes de prevenção. "É a melhor forma de garantir a saúde de nossas crianças e adolescentes, daí a importância e necessidade de conhecer alguns cuidados diários para evitar acidentes graves", explica Lygia.

Quedas representam a principal causa de internação entre os acidentes com a população de até 14 anos no Brasil, segundo a pediatra. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2010, mais de 60 mil crianças e jovens de até 14 anos foram hospitalizados vítimas de quedas.

Entre as principais causas de quedas envolvendo bebês estão os móveis, escadas e andadores. Este último é responsável por mais acidentes que qualquer outro produto infantil destinado a crianças entre 5 e 15 meses. A maior parte das lesões resulta de quedas em escadas ou simplesmente por tropeços quando estão no andador.

Algumas características físicas próprias do desenvolvimento da criança podem favorecer as quedas, como o tamanho e o peso da cabeça em relação ao corpo, que acabam facilitando o desequilíbrio. "Quedas podem causar sérias lesões, como os traumatismos cranianos", exemplifica.

Segundo Lygia, o período de hospitalização de uma criança não é igual ao de um adulto, o organismo da criança é bastante diferente e a presença dos pais é fundamental.

Criança Segura

Quando ainda estava grávida do primeiro filho, hoje com nove anos, a auxiliar administrativa de enfermagem Tatiana Lima, de Londrina, viu uma entrevista com integrantes da ONG Criança Segura. Além do menino, ela também tem uma garotinha de quatro anos. "Mãe de primeira viagem não tem muita noção, por isso foi muito importante eu ter recebido aquelas informações. Muita coisa mudou na minha casa depois do nascimento das crianças", afirma.

Cabos de panelas panela para dentro do fogão, tomadas tampadas, banheiro sempre fechado para evitar o acesso à privada e produtos de limpeza são alguns dos cuidados tomados por ela. "Também não deixamos fios pendurados, usamos tapetes antiderrapantes e todas as janelas têm telas, já que moramos em apartamento. No carro eles só podem andar na cadeirinha, mesmo chorando, porque isso não é negociável", garante.

Tatiana brinca que quem observa todos os cuidados pode até pensar que é excesso de cuidados, mas um simples descuido pode resultar em machucados. "Eles adoram bicicleta e para isso usam capacete. Um dia meu filho caiu e ficou com o joelho todo machucado porque não usava joelheira. Não foi uma queda grave, mas poderia ter sido pior. Nem preciso dizer que o equipamento foi comprado em seguida. É claro que eles podem fazer diversas coisas, não os superprotegemos, mas na nossa rotina de trabalho vemos tantas coisas que poderiam ser evitadas", afirma.

A dona de casa Marlene Asarias Macedo é avó de uma menina de três anos e também toma todos os cuidados para que a pequena não se machuque quando está na casa dela. Além de tela nas janelas e tampas nas tomadas, a menina não pode entrar na cozinha quando alguém está cozinhando e produtos de limpeza e remédios ficam guardados em uma despensa, longe do alcance. "Às vezes acho que até exageramos, mas todo cuidado é pouco", justifica.

Imagem ilustrativa da imagem O perigo começa em casa
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