Paulo Pegoraro
De Cascavel
9 - Se fosse convidado a descrever o menino Marquinhos, o próprio Marcos Antonio Garcia Fonseca, 12 anos, possivelmente estruturaria assim sua redação, com a naturalidade de um texto infantil: ‘‘Ele é um menino pobre. Mas não é triste. Ele gostaria de ter mais coisas. Mas é feliz com o que tem e faz seus próprios brinquedos. Ele gosta muito do pai e da mãe. Isso é o mais importante. Marquinhos é patriota e gosta muito de ser brasileiro e de representar o Brasil’’.
Marquinhos, que mora com os pais na zona leste de Cascavel, saiu do anonimato próprio das crianças pobres no último 7 de setembro, quando a Folha – e uma emissora de rádio local, a Capital – reportaram sua frustração por não poder participar daquele que seria seu primeiro desfile, com a escola em que estuda, na 6ª série. Segundo o menino e os seus pais, a diretora não permitiu que desfilasse porque sua camiseta escolar estava rota, desbotada e fora do padrão. O menino ainda não esqueceu aquele 7 de Setembro. Mas esquece quando é mesmo o Dia da Criança. ‘‘É 12 de novembro?...’’. Talvez não faça muita diferença, porque, presente, está fora de cogitação, a princípio. ‘‘Meus pais são pobres, tenho mais quatro irmãos, não dá para todos. O importante é Deus dar de presente saúde e inteligência para nós’’. Marquinhos porém está garantindo seu próprio presente – assim como fez em datas anteriores, em aniversários ou outros dias da Criança.
Desta vez, ele está montando pacientemente ‘‘uma cidade’’, com caixinhas de remédios usados pela mãe coladas em uma folha de papel, e com riscos de caneta indicando as ruas.

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