O passado abre as suas portas no Museu Histórico de Cambé
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quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Francismar Lemes <br> Especial para a FOLHA 
Entre o passado e o futuro existe o tempo da memória presente em coleções, como as do Museu Histórico de Cambé. O acervo de fotos, filmes, numismática, peças arqueológicas e objetos contam a história de povos que habitavam a região, antes dos colonizadores chegarem e dos pioneiros moradores da cidade.

O museu está instalado no prédio do Centro Cultural de Cambé, espaço que também merece ser visitado, oferecendo oficinas de artes visuais e danças urbanas, entre outras.
Em comemoração ao aniversário da cidade, até o dia 26 de outubro, o centro apresenta a exposição "Memórias Pictóricas", com obras do artista plástico Osmar Delgado. Ele nasceu e passou a infância e adolescência em Cambé, registrando as lembranças nas suas telas.
Já o museu proporciona aos visitantes uma viagem ao passado por meio dos objetos expostos na sala da mostra de longa duração e outra de peças arqueológicas.
"É uma viagem histórica pelos caminhos de Cambé em que, principalmente, as crianças descobrem como o município se formou e também aprendem um pouco sobre o desenvolvimento da tecnologia, como as coisas eram no passado e como evoluíram ao longo do tempo", ressalta Eduardo Pavinato, do setor administrativo do museu.
O museu foi criado, em 1985, para resgatar a história de Cambé, município formado pelas 10 primeiras famílias que vieram de Dantzig, na Alemanha, à região por intermédio da Companhia de Terras Norte do Paraná. A origem dos primeiros moradores inspirou primeiro nome da cidade, Nova Dantzig.
Entre as coleções do museu estão 1 mil fotografias e 4 mil negativos, alguns em chapa de vidro, do fotógrafo Arthur Eidam. O pioneiro fotógrafo chegou à região, quando ainda era um povoado de apenas 8 mil habitantes.
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Registrou cenas do cotidiano, procissões religiosas, festas, visitas de personalidades à cidade, entre outras. "São imagens que mostram como a cidade foi se desenvolvendo ao longo dos anos", destaca Pavinato.
Cem títulos de filmes produzidos por Renato Melito, nas décadas de 1940 e 1950, também contam em imagens a história do município.
A mostra na sala de exposição permanente conta com cerca de 100 peças, como a famosa sanfona de João Peres Navarro. "Conta-se que todos na família do pioneiro queriam ficar com a sanfona italiana. A esposa dele, Emília, decidiu doar ao museu e disse aos familiares, que não precisavam brigar porque poderiam vê-la, quando quisessem. Só que no museu", conta Pavinato.
Os objetos de um dos primeiros prefeitos e primeiro deputado estadual de Cambé, o médico José dos Santos Rocha, ajudam a contar um pouco da história da medicina na região. A maquete da casa da Família Tkotz é outro destaque entre os objetos expostos. Pedro Tkotz nasceu em 1887, na cidade de Koenigshuette, na Alta Sibéria, Alemanha.
Na sala arqueológica, o visitante poderá ver artefatos e utensílios feitos por populações que já habitavam a região, antes dos colonizadores. Algumas peças foram encontradas onde seria a Redução Jesuítica San Joseph, que se formou em 1625 e foi destruída em 1931. Era uma espécie de entreposto entre a redução de Francisco Xavier à beira do Rio Tibagi e San Ignacio de Loerto, à margem do Rio Paranapanema. Foi fundada pelos padres Antonio Ruiz de Montoya e Simon Mascetta.


