Com experiência de 30 anos em sala de aula, a professora de Ensino Fundamental Inês de Oliveira Fabrin, que atua em uma escola municipal no Jardim Bandeirantes (zona oeste de Londrina), revela que há muitos anos presenciou mudanças no comportamento de um aluno, mas não sabia como proceder. "Eu suspeitava que ele estava sofrendo violência, mas antigamente esse era um assunto muito velado, principalmente nas escolas. Hoje é diferente. Estamos discutindo e tendo mais informações sobre o tema e posso dizer que minha atitude diante de uma situação dessa será bem diferente a partir de agora", conta.
Essa postura adotada pela professora foi motivada principalmente pela palestra da promotora da 6ª Vara Criminal de Londrina, Suzana Feitosa Lacerda, que falou sobre "O papel da escola frente à violência contra crianças e adolescentes". Ela esteve reunida ontem pela manhã com os professores da rede municipal, que participam da semana pedagógica.
"É preciso saber o que observar e o que fazer. A maioria dessas situações acontece na família e a escola é o lugar onde crianças e adolescentes passam mais tempo fora de casa. Portanto, é neste ambiente que elas acabam demonstrando ou relatando determinadas situações, até mesmo pela confiança que têm com os professores", justifica a promotora, sobre a importância do tema.
Com uma linguagem simples e de forma bem didática, a promotora exemplificou situações de violência e sinais que podem ser revelados pelos alunos, como a falta de atenção, insônia e mudanças no comportamento, com atitudes de agressividade, de depressão e até baixo conceito de si próprio.
"Agora me sinto mais segura em dizer que terei um olhar diferenciado para o aluno que apresentar uma mudança no comportamento. A presença da promotora foi importante para nos ajudar a identificar esses sinais", comenta a professora de ensino fundamental Erica da Silva Machado.
Cerca de três mil professores do município, incluindo os dos centros municipais de Educação Infantil (CMEIs), participam da capacitação por meio de palestras com temas que também relacionam questões motivacionais e tendências em educação. As atividades são promovidas pela diretoria pedagógica da Secretaria Municipal de Educação.

Notificação
No fim da palestra, a promotora reforçou a importância da notificação dos professores. "Se não tivermos a parceria dos educadores, não vamos conseguir mudar essa realidade. Para aqueles que trabalham em áreas mais complicadas, ou seja, de risco, onde até a presença deles na escola implica em não se manifestarem acerca de determinadas situações, a ficha de notificação é um caminho. É óbvio que o professor tem que visar sua própria segurança, mas em nome disso não podemos deixar de agir em favor dessa criança ou adolescente", salienta a promotora, ao citar o interesse em reativar uma comissão em parceria com as secretarias de Assistência Social e de Educação.
"É uma comissão formada por multiprofissionais, que fará a ponte entre professores e órgãos públicos. Esperamos reativá-la o quanto antes para que o professor se sinta mais respaldado. Por enquanto, as denúncias podem ser feitas diretamente ao Conselho Tutelar, mas o preenchimento da ficha de notificação é obrigatório", finaliza Suzana, ao informar que as fichas estavam à disposição do município há dois anos, mas que por motivos desconhecidos, nem todas as escolas tinham acesso a elas.
Serviço: O plantão do Conselho Tutelar atende pelo número 125

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