O pânico espalhado pela Internet
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Wilhan Santin<BR>Reportagem Local 
Imagine-se na seguinte situação: de repente, amigos começam a te ligar, aos prantos, querendo checar se você realmente está vivo. Enquanto isso, outros já estão na portaria do prédio onde você mora, também preocupados. O desespero se deve a um e-mail que todos os seus conhecidos estão recebendo. Em um formato jornalístico, o texto espalhado pela Internet, cheio de detalhes, diz que você morreu vítima de um acidente de trânsito.
Na última semana, a universitária Flávia Salasar foi vítima do drama descrito no parágrafo acima. Enviado para pessoas do relacionamento dela, um e-mail dizia que a moça havia batido o carro que dirigia contra um caminhão e falecido no hospital após ser socorrida por bombeiros. Detalhes sobre ela, como idade, faculdade e até o curso e período ajudavam a dar veracidade à falsa notícia. Transtornos que não acabam mais.
''Uma amiga minha passou mal no trabalho quando recebeu o e-mail. Uma outra, que estava indo para uma entrevista de emprego, desistiu da oportunidade quando foi avisada de minha susposta morte pelo telefone. Na Acesf, mais de 30 pessoas ligaram querendo saber sobre o meu velório. Um professor da faculdade chegou a ir até lá. Tive que ligar para diversos lugares para avisar que estou viva'', conta Flávia.
O que parece, em um primeiro momento, uma brincadeira de péssimo gosto, na verdade tem tudo para ser um crime virtual. De acordo com o investigador Edson Mendes, do Núcleo de Combate aos Ciber Crimes (Nuciber) da Polícia Civil do Paraná, provavelmente se trata de um golpe visando roubar senhas de banco das pessoas que receberam o e-mail.
Ao ser entrevistado pela FOLHA, Mendes imediatamente questionou se havia algum link junto à mensagem da suposta tragédia. Ao receber uma resposta afirmativa do repórter - uma vez que o e-mail também pedia para clicar em um link que levaria a mais notícias do acidente - o investigador não titubeou. ''Esse link leva a um programa espião, que é instalado no computador sem que o usuário perceba. Tal programa 'pesca' dados de quem usa a máquina, tais como senhas de banco, por exemplo, e pode resultar em um grande prejuízo financeiro'', explicou o investigador.
Trabalhando no Nuciber há dois anos, ele disse que é a primeira vez que tem notícia de um golpe aplicado dessa maneira. ''Recentemente fizeram algo semelhante noticiando a morte do ator Tony Ramos, mas eu nunca tinha visto esse golpe relatando a morte de alguém que não está na mídia'', comentou o policial.
Para Flávia, as informações no email podem ter sido retiradas de conversas com as amigas por meio do site de relacionamentos Orkut - que ela já apagou - e algumas notas sobre trabalhos acadêmicos de sua autoria que estavam em sites de busca. ''Eu não quero nem saber quem fez isso, não me importa. Só quero que as pessoas prestem atenção nas mensagens que recebem e na maneira como utilizam a Internet'', alertou.
De acordo com o investigador do Nuciber, quem for vítima de um crime virtual deve procurar a polícia civil da cidade onde reside. ''Apesar de o nosso núcleo estar em Curitiba, podemos investigar esse tipo de crime em qualquer cidade do Paraná'', explicou.


