O palco como solução
A professora Ana Carolina Ribeiro, 26 anos, passou a infância e a adolescência sofrendo com a timidez. ''Era muito retraída. Evitava contato social e tinha dificuldade para fazer amizades.'', lembra. Procurou então ajuda no teatro, aos 12 anos. ''Foi a maneira que encontrei para aprender a me expressar'', diz Carolina. ''Acabei me identificando, cursei artes cênicas e há sete anos sou professora de teatro.'' Sorridente, conta que o processo foi lento e que chegou a fazer tratamento psicológico. ''Minha essência ainda é tímida, mas hoje dou aula para mais de cem alunos sem constrangimento.''
O cabeleireiro Enivaldo de Oliveira, 42, sempre foi muito fechado e sentia medo de falar em público. Assim como Carolina, ele buscou o teatro, o que facilitou bastante sua vida pessoal e profissional. ''Tinha medo de me expor e sentia certa insegurança para lidar com meus clientes. Fui uma criança e um jovem tímido, mas hoje melhorei muito. Viajo bastante a trabalho e perdi o medo de me expor publicamente'', vibra.
Tímido desde criança, o estudante L.H., 18 anos, que prefere não ser identificado, já sofreu bastante com o problema. ''Sinto que todo mundo está observando meus defeitos. As pessoas fazem gozações de mau gosto e às vezes me sinto um fracassado'', desabafa. A mãe dele conta que o rapaz sempre foi muito tímido e observador. ''Falava tão baixo que eu tinha dificuldade para entender. Tudo o que ele queria pedia somente para mim.'' Para superar o problema, o estudante já passou por tratamento psicológico, homeopático e praticou esportes. ''Sempre tentei mostrar seu valor e evidenciar a importância que ele tem. Sinto que hoje meu filho é mais seguro, alegre e tem mais facilidade de se relacionar com as pessoas'', conta a mãe, que acredita que a cumplicidade entre família e escola contribuiu nesse lento processo. (P.B.)





