Londrina - Foi-se o tempo em que tudo era resolvido pessoalmente. O ‘‘olho no olho’’ era um sinal incontestável de confiança mútua. A caderneta do armazém, por exemplo, marcava exatamente aquilo que você havia consumido no mês. O arroz e o feijão, vendidos a granel, eram medidos à vista do cliente pelo próprio dono do estabelecimento ou por um ajudante de sua inteira confiança. Os serviços do banco também eram resolvidos na ‘‘chincha’’, diretamente com o gerente, normalmente filho de família conhecida na cidade.
Mas eis que chegamos na era ‘‘fantástica’’ da tecnologia, ‘‘para apressar o tempo, diminuir as distâncias e dar mais segurança a todos’’. Tudo on-line. Nos supermercados, não perguntamos mais o preço das coisas para uma pessoa de carne e osso. Uma máquina, instalada em local estratégico, nos diz quanto custa aquele pacote de papel higiênico, por exemplo, que embora tenha encurtado de 40 metros para 30 metros custa o mesmo preço.
Nos serviços bancários, então, a situação é mais evidente . Para você entrar numa agência, é preciso se desprender de bens materiais como bolsas, chaves, moedas e, às vezes, até cintos. Tudo que tiver metal não passa pela porta giratória.
Dentro do banco, a situação piora mais um pouquinho. O caixa-eletrônico, mecanismo que substitui um batalhão de bancários, não exige o seu bom humor mas também não te olha no olho e não escuta as suas reclamações. Fazem de tudo para o cliente se sentir ‘‘bem-vindo à era digital’’, eliminando o intermediário gente.
O problema é justamente quando você tem um problema e precisa falar com uma pessoa. Pode ser, por exemplo, um talão de cheque extraviado no percurso entre a agência e sua casa. Antes, o talão só podia ser retirado no banco, diretamente com o gerente. Hoje, ‘‘para facilitar sua vida’’, ele chega via correspondência mas, de vez em quando, se perde pelo caminho. Um primeiro coitado passa seu caso para um segundo desinformado, que se não te mandar retornar para o primeiro lhe passa para um terceiro. Ninguém resolve.
‘‘O senhor pode esperar em casa, que mais tarde algum de nossos funcionários entra em contato por telefone’’, garante a sólida instituição. Enquanto isso, mesmo que a culpa seja do banco, a taxinha de apenas R$ 0,35 já foi debitada em sua conta corrente, cobrando a devolução de um cheque que você nem sabia que existia.

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