''Santo Inocêncio: ontem cidadão romano, hoje cidadão tomazinense'', diz uma das faixas espalhadas por Tomazina para comemorar a presença do mártir. De fato, a comunidade católica da cidade parece tê-lo adotado. Da última vez que os padres fizeram contagem no livro de batismo da paróquia encontraram em torno de 800 pessoas que receberam nome ou sobrenome Inocêncio desde 1975.
Um deles é Ígor Gabriel Inocêncio, 11 anos, que ontem foi à missa das 10 horas com o pai, Geraldo Antônio Evangelista, 53. ''Minha mulher teve dificuldades na gravidez do Ígor. O nome é uma forma de agradecer ao santo pelo menino e ela estarem bem'', conta Evangelista. ''Eu gosto de ser devoto'', emenda Ígor, com jeito serelepe.
Na missa também estava Sebastião Lopes da Silva, 72, agricultor que todo dia deixa o sítio e anda oito quilômetros até a cidade para pedir a interseção de Inocêncio. ''Tenho fé e sou feliz por isso'', comenta, interrompido durante o muito tempo de oração.
Os padres José Hédio dos Santos, 40, e Dijalma Fernandes de Lima, 35, ficam orgulhosos com a devoção. Dizem que turistas de outras cidades têm aparecido por ali para fotografar e saber mais sobre Santo Inocêncio. Mas reconhecem que o mártir ainda não é muito conhecido fora do Norte Pioneiro. ''Estamos propagando mais o mártir. Temos até enviado fragmentos das relíquias para outras paróquias que nos solicitam. Já há pedaços dos ossos em Jacarezinho (paróquia Sagrado Coração de Jesus) e Jundiaí do Sul'', ressalta José Hédio.
Para a festa de ontem eles até tentaram arranjar um helicóptero para reconstituir a chegada de 35 anos atrás. Mas o valor de R$ 5 mil cobrado pelo proprietário da aeronave era alto demais. ''Na última hora deixaram por R$ 2,5 mil, mas já era tarde para providenciar tudo'', lamenta padre Dijalma.
Um documento de 1838, em latim, assinado por Antonius Maria Calcagno, então bispo de Adria, é o único que atesta a autenticidade das relíquias. (W.S.)

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