Londrina - É Natal. Em todos os presépios, a figura do menino Jesus na manjedoura lembra o porquê da data amplamente comemorada no mundo cristão. Enquanto isso, um personagem, o Papai Noel, brilha em todos os cantos da cidade, enchendo de alegria os olhos das crianças. Pronto, a polêmica está acesa. Há quem defenda, com unhas e dentes, o bom velhinho de longa barba branca e roupa vermelha; porém alguns o acusam de servir apenas aos interesses comerciais e roubar a atenção que devia ser dedicada ao aniversariante da ocasião.
Para conhecer a opinião de cada um deles sobre isso tudo e também o que pensam do Natal, a FOLHA entrevistou Noel e Jesus. Calma, não fomos à fria e distante Lapônia, onde Papai Noel está ocupado demais com a separação dos presentes e, por isso, não pode dar entrevistas; também não conversamos com o filho de Deus, pois Jesus Cristo conversa sim com os homens, mas com aqueles que têm muita fé e rogam por causas importantes, por isso achamos melhor não incomodá-lo. Os nossos entrevistados moram em Londrina e são bem acessíveis.
Jesus Manoel de Souza, 58 anos, é motorista, casado, tem três filhas e gosta do Natal, principalmente por causa da possibilidade de levar a família para passear. O nome, é claro, é uma homenagem a Jesus Cristo. ''Meus pais eram muito religiosos'', explica. No entanto, ele faz aniversário em março e não em 25 de dezembro. ''Mas os amigos sempre fazem me homenagens bem humoradas no Natal, vários ligam para dizer parabéns pelo meu dia'', diverte-se.
Ele valoriza a oportunidade de comemorar o aniversário do ''xará'' com a família porque durante 32 anos passou a data na estrada, trabalhando. Sobre Papai Noel, Jesus diz que não há motivos para ciúme. ''Ele é importante para as crianças, fazem com que sonhem. Porém, nós adultos temos que acreditar em Deus e lembrar que Jesus nasceu de forma humilde e mudou a nossa história'', destaca.
O psicólogo Noel Rodriguez de Almeida, 24 anos, nunca vestiu gorro vermelho e barbas postiças brancas, mas não descarta a oportunidade de um dia encarnar o personagem do qual leva o nome.
Casado e pai de uma menina de um ano, ele diz que não sabe ao certo o que teria motivado a escolha de seu nome, mas relata que é filho de uma chilena e tem um irmão chamado Nicolas, em homenagem a San Nicolas - no Brasil, São Nicolau - o santo que, de acordo com a Igreja Católica, teria dado origem à lenda do Papai Noel. Diz a história que o santo nasceu no ano de 275, foi sacerdote e partilhou sua grande herança com os necessitados.
Sobre como é ter o nome tão falado na época natalina, o psicólogo se diz orgulhoso. ''Vejo o termo Papai Noel escrito em diversos lugares, fico feliz porque é meu nome que está ali'', relata o rapaz que nunca acreditou no bom velhinho. ''Minha família não tinha a cultura de falar que ele, de fato, existia'', explica.
Questionado sobre sua crença, Noel responde que não segue uma religião específica, por isso não pode falar sobre Jesus Cristo, mas opina que a religiosidade faz bem. ''A pessoa tem que estar bem com ela mesma, pois não há remédio para a culpa. Sobre o Papai Noel, não vejo problema de as crianças acreditarem que ele exista, pois um dia acabam descobrindo que é uma lenda. Quero desejar que todos tenham paz, tranquilidade e possam estar com suas famílias neste Natal'', finaliza Noel.

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