''Fumar daÀa la salud''. Se o seu maço de cigarro possui esses dizeres e não tem o selo de imposto é bem provável que ele seja contrabandeado e não tenha pago seus impostos. Segundo a fabricante Souza Cruz, 26% dos cigarros consumidos no Brasil possuem origem no mercado ilegal, o que equivale a 31 bilhões de cigarros. Ainda de acordo com a empresa, a ilegalidade no setor gera perdas de arrecadação de cerca de R$ 2 bilhões ao ano para os cofres públicos.
O Estudio Económico Saguier de Paraguay levantou que a produção de cigarros no Paraguai é de 60 bilhões de cigarros, o que equivale a 62% da produção brasileira. A diferença é que o Brasil possui 191 milhões de habitantes e o Paraguai, 6 milhões de habitantes.
Uma Comissão Parlamentar de Investigação (CPI da Pirataria) apontou que as principais portas de entrada para o contrabando e o descaminho fazem divisa com o Paraguai e, consequentemente, com o Paraná, principalmente pelas cidades de Foz do Iguaçu e Guaíra.
Em Londrina esses cigarros podem ser encontrados à venda nas proximidades do Terminal Urbano de Transporte coletivo, na Feira Livre do Cinco Conjuntos, em diversos bares da periferia e nas sacolas de ambulantes que oferecem em locais de grande movimentação. Enquanto o preço de um cigarro brasileiro do segmento mais barato custa R$ 3,25 a R$ 3,40, um maço de cigarro contrabandeado pode ser encontrado por R$ 1,30, R$ 1,50 e R$ 1,60.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, no ano passado foram apreendidos 1.487.439 pacotes de cigarros contrabandeados no Paraná, o equivalente a 43% dos cigarros apreendidos pela PRF em todo o Brasil. Mato Grosso do Sul ficou em segundo com 943.595 pacotes (28%). Segundo o inspetor Wilson Martinez, até 10 de maio deste ano a PRF apreendeu 652.831 pacotes de cigarros no Paraná, ou seja 33% das apreensões em rodovias federais em todo o Brasil. No mesmo período no ano passado foram apreendidos 536.676 pacotes, o que aponta um crescimento de 21,64% nas apreensões do produto no Estado.
''A intensificação da fiscalização tem ajudado no aumento das apreensões no Paraná'', conta Martinez. Segundo ele, Mato Grosso do Sul e Paraná tem se alternado no topo de apreensões de cigarro devido a sua proximidade com o Paraguai e também porque é rota para outros estados como São Paulo, responsável por grande parte do consumo de cigarros falsificados. ''Quando a polícia intensifica a fiscalização em um Estado, os contrabandistas acabam procurando uma outra rota'', analisa.
O inspetor da PRF diz que as pessoas que tiverem informações sobre esse tipo de contrabando podem denunciar pelo telefone 191. ''Na maioria das vezes pegamos esses cigarros entre 20 km a 30 km de Foz de Iguaçu e nas proximidades de Cascavel'', relata. A Receita Federal aponta que em 2010 foram destruídos R$ 96 bilhões em cigarros contrabandeados apreendidos no País.

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