O ginecologista e obstetra Antônio Caetano de Paula, presidente da Associação Médica de Londrina, acredita que fazer um parto em casa seria o mesmo que ir a São Paulo a cavalo. ''Só se justifica se for tão rápido que não dê tempo de chegar ao hospital. As pessoas encaram o parto como uma festividade e não como um procedimento médico'', observa.
De acordo com o obstetra, os problemas podem ocorrer com qualquer pessoa, mesmo com aquelas mulheres que fizeram o pré-natal corretamente. ''Em alguns casos não há tempo de chamar uma ambulância. O parto é um momento de alegria mas há riscos'', resume.
Mesmo o parto realizado em casa sendo uma ocorrência comum antigamente, Caetano acredita que os tempos eram outros, assim como o corpo e comportamento femininos. ''As mulheres não ficavam sentadas o dia todo, realizavam mais atividades físicas e não usavam roupas apertadas. Não se justifica colocar mãe e filho em risco sendo que nos hospitais se pode fazer um parto humanizado.''
A opinião é compartilhada pelo pediatra Milton Macedo de Jesus, que destaca que os três primeiros minutos de vida são fundamentais para a criança. ''Se alguém pudesse garantir que a criança fosse nascer bem, ela poderia nascer em casa, mas se não nascer bem, ai é o problema'', destaca. ''Nesse momento tem que ter um profissional junto, não dá tempo de esperar porque isso pode significar sequelas graves e permanentes'', acrescenta.
O pediatra acredita que a escolha pelo parto domiciliar vem de países mais desenvolvidos, mas que a saúde no Brasil não permite que a prática seja comum por aqui. ''São países em que há uma retaguarda e um transporte de urgência imediato. O melhor local para uma criança nascer, no Brasil, é no hospital.''
Macedo ressalta que não é a mesma coisa estar em casa com equipamentos do que estar no hospital, já que nem todos podem ser levados para a casa da parturiente. ''Não tem como fazer todos os atendimentos em casa. A mãe deve estar ciente de todos os riscos e decidir junto com os profissionais. Mesmo um pré-natal sem problemas não é garantia de que tudo vai dar certo. É algo para uma clientela diferenciada, restrito a poucas pessoas'', ressalta. (E.G)

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