'O melhor é ter uma atitude preventiva'
Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP, realiza um trabalho de orientação por e-mail de dependentes de internet e jogos eletrônicos. Conta que o primeiro passo para a recuperação é identificar a dificuldade que levou ao uso abusivo. ''Geralmente são jovens introvertidos que não se sentem muito prestigiados na vida real, mas nos jogos conseguem ser os melhores.''. Também costumam estar subjacentes problemas de autoimagem e de comunicação com a família.
Proibir o uso do computador, diz Rosa, não é a solução. ''O melhor que os pais podem fazer é ter uma atitude preventiva. Para isso é preciso conhecer as possibilidades do mundo virtual, aproximar-se do jovem, acompanhar o uso das tecnologias e ajudá-lo a discriminar o bom e o ruim.''
É justamente nesta tecla que o casal Paula e Alexandre Salvador tem insistido em bater. ''Nos interessamos pelo conteúdo que elas acessam. Tanto que elas sempre me chamam para mostrar os novos jogos que descobrem e até as conversas que têm pelo MSN. Nada é escondido'', conta a psicopedagoga, revelando que na maioria das vezes as filhas usam seus notebooks na sala, perto dos outros familiares.
Paula lembra que Tauani, de 17 anos, demorou mais para se render aos apelos do mundo tecnológico. ''Ela sempre foi muito estimulada por meio de jogos educativos e brinquedos tradicionais, só passou a se interessar pelos eletrônicos na adolescência.'' Com Tainá (10 anos), porém, a história foi diferente. ''Por influência da irmã e dos primos, ela começou muito cedo a demonstrar interesse por estes aparelhos. Quando tem alguém mais velho na família, não tem jeito, o mais novo sempre quer acompanhar. E não adianta querer impedir. Nós pais temos que estar sempre por perto, apoiar e conquistar a confiança dos filhos'', ensina.
Em alguns momentos, segundo Paula, ela e o marido têm que impor algumas proibições, mas tudo é muito bem conversado com as filhas. ''Esta relação de respeito vem sendo construída desde que elas nasceram. Colocamos limites mas, ao mesmo tempo, sempre ouvimos suas opiniões.'' Ela acredita que, nestes moldes, a tecnologia mais ajuda do que atrapalha.
Quézia Bombonatto, da Associação Brasileira de Psicopedagogia, concorda com Paula. Segundo ela, os pais não podem ter medo de colocar limites. O ponto de equilíbrio, diz, vai depender dos valores de cada família. (S.L. e A.E.)





