Arapongas - Resgate de pessoas desaparecidas, soterradas, afogadas, busca de drogas e apoio durante o patrulhamento, além de apresentações para crianças são apenas algumas das funções que os cães que trabalham com a polícia ou com o Corpo de Bombeiros desempenham.
Para discutir técnicas, trocar experiências e também comemorar o primeiro ano do canil integrado de Arapongas (Norte), está sendo realizado nesta semana o 2º Encontro de Cães de Segurança Pública da 7 Companhia Independente da Polícia Militar. Participam cerca de 70 policiais militares, civis, guardas municipais, oficiais do Corpo de Bombeiros de vários estados, além de integrantes do Exército. Táticas para entrar em unidades prisionais para conter rebelados e busca e captura são os temas abordados.
O capitão Vilson Laurentino da Silva, subcomandante da 7 Companhia Independente, explica que Arapongas tem o único canil integrado entre a PM e Guarda Municipal do Estado. ''O nosso canil foi montado há cerca de três anos e há um ano estamos trabalhando de forma conjunta. O cão é uma arma não letal, que chega aonde o policial não consegue chegar. Além disso, um único animal consegue o nível de intimidação de oito homens e por isso é tão importante no trabalho policial'', explica.
O tenente Franck Cione Coelho dos Santos, comandante do Pelotão de Choque do 4º Batalhão de Maringá (Noroeste), conta que em estabelecimentos prisionais os cães auxiliam na contenção de rebeliões e na revista carcerária.
''O grande diferencial do cão é o impacto psicológico que ele causa, pois demonstra força e assim o policial nem precisa utilizar outros equipamentos como munições e granadas. O cão é preparado para conter o indivíduo agressor e o policial se sente mais seguro para a intervenção'', destaca. Santos ressalta que na maioria das vezes nem é preciso soltar o animal, pois a sua presença já intimida os presos.
Sobre o encontro, ele diz que o principal ponto é a troca de experiências, já que cada estado tem um sistema prisional, uma estrutura diferente e um tipo de detento. ''Nas fronteiras temos mais as 'mulas', pessoas presas por transportar drogas, já em são Paulo e Paraná temos presos mais violentos, muitos fazem parte de facções criminosas e por isso é necessário uma outra forma de agir'', afirma.
Agilizar o serviço
A oficial Melícia Ruoppoli e o agente Hugo Alexsander Rodrigues Pereira, agentes penitenciários de Campo Grande (MS), contam que está sendo implantado o canil no sistema penitenciário da cidade e por isso vieram participar do curso. ''Fazemos a vigilância, segurança e extração de presos das celas e tudo isso sem armas. O cão é um aliado nesse serviço e sempre que precisamos temos que solicitar o apoio da PM, que já tem um canil. Assim que o nosso estiver funcionando vamos poder agilizar o serviço'', contam.
O inspetor da Guarda Municipal de Casimiro de Abreu (RJ), conta que já usam cães para detecção de drogas e para conter distúrbios civis, mas veio conhecer outras formas de trabalho. ''Queremos usar os cães para resgate e busca em matas e escombros, além de localização de cadáveres. Percebemos que o trabalho tem melhor resultados com os cães, principalmente para conter distúrbios'', analisa.
Aprender as técnicas para que o cão localize cheiros específicos é o objetivo do soldado Carlos Thiel, membro do Corpo de Bombeiros de Blumenau (SC). ''Temos três labradores que trabalham com buscas e resgate de pessoas perdidas em mata, soterrados, busca de cadáveres e até busca aquática. Eles são capazes de localizar uma pessoa submersa até 10, 12 metros. Agora queremos treinar animais que façam a busca por odores específicos.''

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