''O médico disse que estou curada''
É difícil encontrar mulheres que concordem em tornar público a dor e as incertezas pelas quais passaram na luta contra o câncer causado pelo HPV. E as poucas que aceitam falar são movidas pela possibilidade de salvar outras mulheres da mesma angústia.
Hoje eu sei que não precisava ter passado por tudo isto. Tenho consciência de que não podia ter me deixado intimidar pelo desconforto do exame. Nem ter me iludido achando que isto nunca ia acontecer comigo. O depoimento é da professora aposentada Neusa Clivati Zanardi, 63 anos. Ela mora em Cambé e há pouco tempo recebeu uma das melhores notícias que poderia esperar. Recebi alta. O medico disse que estou curada, conta.
Ela estava com câncer de colo de útero e teve de sofrer uma histerectomia (retirada do útero) e passar por tratamento de radioterapia. A professora explica que apesar de saber da importância do preventivo acabou relaxando depois que ficou viúva. Acreditava que estava livre do risco de contrair doenças de mulher casada.
O último preventivo que fez foi aos 39 anos, em 1979. Na ocasião fiquei traumatizada. Achei doloroso e fiquei constrangida. Desde então comecei a evitar ir ao médico, comenta. Há dois anos, depois de muita insistência da filha ela decidiu ir ao médico indicado por ela. Descobri que o exame é simples e tranquilo. O médico que me atendeu é excelente, elogia.
O único problema foi o resultado do exame. O médico avisou que ela precisaria passar por uma pequena cirurgia (conização) no colo do útero. Fiquei com medo e preferi não dar importância ao caso, conta Neusa. Ninguém deve deixar chegar a este ponto.





