Os filhos de Sidnilson Mendes, Diego, 13, e Cristina, 9, usam dois calçados para ir à escola. O primeiro, mais reforçado, é utilizado para vencer os dois quilômetros de terra até o ponto da Kombi. Dentro do transporte, eles trocam o calçado por um modelo mais leve.
Muitas vezes, o dia de aula é salvo pelo trator do trabalhador rural que, além de manejar a terra, também transporta as crianças da vizinhança até o ponto. ''Mas em dia de chuva nem o trator sobe pela estrada de terra. Aí, a única solução é enfrentar a lama e a água.'' A situação das crianças já foi pior. Há dois anos, quando eram menores, a estrada não tinha cascalhamento e, por isso, os estudantes andavam cinco quilômetros até chegar ao transporte.
Simone de Souza Franco e Adir Jorge de Moraes são pais de Camila, 9, Karina, 12, e Carlos Alberto, 7, e enfrentam os mesmos dilemas dos vizinhos. O garoto mais novo é o único que estuda à tarde. Por isso, enfrenta sozinho o trecho até o ponto. ''Tenho medo que ele encontre uma cobra ou um enxame de abelhas e não saiba se defender. Nos dias de chuva, ando com eles até o transporte porque acho perigoso'', contou Simone.
Letícia, 13, e Tiago, 11, são filhos de Genilda Mendes. Quando eram menores, saíam de casa às 5h30. O cascalhamento facilitou a vida da família, que reduziu a caminhada das crianças em três quilômetros. A menina, porém, preocupa-se com o próximo ano, quando vai para o Ensino Médio e voltará a sair de casa às 4h30 para enfrentar o percurso de 4 km até o transporte escolar. ''O mais chato é o barro'', contou Letícia, que será acompanhada diariamente pela cuidadosa mãe no trecho de caminhada. ''Dá trabalho, mas vale a pena. Letícia é estudiosa e quer ser advogada.''(C.A.)

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