Londrina é uma cidade boa para se viver?
Nedson - É uma excelente cidade para se viver. Ótima qualidade de vida, ótima qualidade ambiental. É uma cidade que tem um bom nível de oportunidade de emprego, de saúde. Tem uma vida cultural forte. É uma excelente qualidade para se viver.
Mesmo com os altos índices de violência, Londrina continua sendo uma cidade atrativa?
Nedson - Não só atrativa, comparativamente é uma cidade com boa segurança. A prefeitura inclusive é parceira do Estado nessa questão da segurança, investindo na estrutura operacional. Hoje, a polícia, por exemplo, está com 27 motos doadas pela prefeitura, com recursos do fundo municipal.
O que é preciso ser feito para melhorar a segurança da cidade?
Nedson - Seria um número maior de policiais. Mas mesmo isso o atual governador deu uma força boa para Londrina. Depois de oito anos sem nada, nós estamos aí com 200 policiais a mais. Então, melhorou bastante nesse sentido. Acredito que para ficar numa média boa são necessários mais uns 200. Seria uma cobertura boa com esse sistema novo de operação, que é muito mais ágil. Não é preciso ter módulos. A própria viatura é um módulo hoje, com o celular e os comunicadores.
Qual é a avaliação que o senhor faz da sua administração?
Nedson - Nos dois primeiros anos, precisamos botar em ordem a situação financeira da prefeitura para começar a ter investimentos, tanto na manutenção da cidade quanto em obras. Conseguimos colocar isso no eixo.
E no segundo mandato?
Nedson - No segundo mandato o problema é político. No fim do mandato anterior, na eleição, derrotei as duas principais forças políticas da cidade, O Hauly e o Belinati, que se juntaram contra mim. Eles estão operando juntos agora, na oposição ao meu governo. E o sinal mais claro disso é a própria direção do Sindicato dos Servidores, que é composta por pessoas do Belinati e do Hauly. O próprio vice do Hauly (Eder Pimenta) é diretor do sindicato. Hoje, o maior problema não está na questão financeira, mas no conflito político em função dessa junção de forças.
Qual é a importância de obras como o Arco Norte e o Anel de Integração para o futuro da cidade?
Nedson - Essas obras apontam para o desenvolvimento. Aliás, já promovem o desenvolvimento dessas regiões, que antes eram estranguladas por determinadas barreiras urbanas. Estamos levando o desenvolvimento para todas as regiões da cidade. E com qualidade de vida. Seja na malha urbana, na questão ambiental e também na geração de novos empreendimentos, geradores de emprego e renda.
A cidade está abandonada?
Nedson - A prefeitura está presente em todos os bairros e num trabalho com qualidade. Não se compara hoje o serviço que nós temos de manutenção da cidade com o que tinha no passado, com empresas terceirizadas, contratadas para isso. Varrição na cidade não existia. Sempre se falava em bueiro entupido e não tinha um trabalho para isso, então compramos um caminhão próprio. Mas tem algo que nós não temos: propaganda, mídia.
O senhor esperava esse nível de dificuldade, de críticas no segundo mandato?
Nedson - Logo após a eleição, no segundo turno, já percebi isso. A questão da pressão popular é tranquila, é normal numa relação de governo. Divulgou, mostra para as pessoas o que está acontecendo e está resolvido. O problema político que nós enfrentamos pesado foi logo no segundo turno, quando enfrentei o Belinati e não tive o grupo do PSDB, ligado ao Hauly, que foi o terceiro colocado, me apoiando, mas apoiando o Belinati, com o Hauly falando que estava neutro.
Quais são os planos para o seu futuro político?
Nedson - Está muito longe, ainda. A próxima eleição que eu posso participar, se eu decidir participar de alguma eleição, vai ser em 2010. Está longe demais para pensar nisso. Agora, a minha preocupação é eleger o Lula e terminar esse governo cumprindo aquilo que me comprometi a fazer.
O senhor acredita que pode fazer o sucessor?
Nedson - Aí vai depender da conjuntura política da época. Eu pretendo honrar os compromissos que assumi no meu mandato. O partido com certeza vai lançar um candidato. A preocupação do partido agora é reeleger o presidente Lula. Essa é a nossa grande missão.
Que marca a administração Nedson Micheleti vai deixar para o futuro de Londrina?
Nedson - Tenho trabalhado com investimento nas pessoas. Com certeza, isso vai ficar. As políticas públicas nossas todas são de valorização, de investimento nas pessoas. E as políticas públicas são pensadas com respeito aos conselhos municipais e uma interação muito grande com a sociedade civil. Os investimentos de infra-estrutura urbana, você só percebe no decorrer, quando o setor privado investe também. E a obra de maior porte é começar o Teatro Municipal.
Como o senhor trabalhou a questão pessoal, inclusive com a morte de suas esposa, tendo que conciliar isso com a administração e as críticas?
Nedson - Me voltei mais para a parte administrativa naquele período, ficando bastante com os meus filhos e reduzindo o número de eventos e atividades. No trabalho cotidiano, isso não afetou.
Os números da violência em Londrina aumentaram bastante desde o ano 2000, o que coincide com o período que o senhor assumiu a prefeitura. Como o senhor explica isso e o que o senhor planeja para minimizar esse problema?
Nedson - Essa é uma questão que se liga intimamente às políticas voltadas para o Estado e a União. Não com a prefeitura. A prefeitura faz a política social. Um problema foi a falta absoluta de investimento nos oito anos de governo Fernando Henrique (Cardoso) e (Jaime) Lerner. E no que a prefeitura pode, investe em infra-estrutura: pelotão da região oeste, corpo de bombeiros, comunicadores, alimentação, passe, tudo para a estrutura policial da cidade.
Quantas famílias vivem em ocupações irregulares na zona urbana de Londrina?
Nedson - Eu diria que são umas mil famílias. E a gente urbanizou e asfaltou. O Monte Cristo, por exemplo, que era a maior ocupação. Agora vamos dar o título de posse também. Então, não é mais uma ocupação, não é mais assentamento. São mil famílias ocupando fundos de vale, lugares que não podem ser regularizados.
Por que os candidatos do PT ao governo do Estado e ao senado não estão tão presentes na maior prefeitura petista do Estado?
Nedson - A Gleisi (Hofmann) veio recentemente e o Flávio Arns também já veio. Mas eles estão percorrendo o Estado inteiro.

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