O maior desejo: Ter uma vida normal
Os obstáculos na recuperação de Isael não estão apenas na demora do repasse do dinheiro referente ao tratamento. Ele também não conseguiu ser aprovado no Hospital Sara Kubitschek, em Brasília, referência no tratamento fisioterapêutico. ''Ele havia sido aprovado e estava na lista de espera de uma vaga quando o setor em que ingressaria foi desativado'', lamenta Rosana. Em uma segunda tentativa, seu caso foi reprovado. ''Disseram que é para tentar novamente assim que ele apresentar novas melhoras. Mas estamos buscando outras alternativas.''
Depois do acidente, o seguro recebido pelo Corpo de Bombeiros foi de R$ 8 mil. Além disso, o auxílio por invalidez constante na aposentadoria é de R$ 99,88. Por mais que receba esses proventos pontualmente todos os meses, a quantia não é suficiente para pagar a conta do fisioterapeuta, da fonoaudióloga, da hidroterapia e da terapeuta ocupacional (dispensada recentemente por falta de condições financeiras), além das fraldas geriátricas e dos sete medicamentos que ele toma mensalmente. Tudo para a devida reabilitação de Isael.
Reabilitação que já custou uma moto, boa parte do dinheiro do seguro e até uma rifa de um jogo de jantar que Rosana ganhou em seu casamento. ''Ele é uma pessoa alegre, bem-humorada, e temos muito orgulho dele. Só estamos pedindo algo a que temos direito, para que ele possa viver com dignidade'', ressalta a irmã, relembrando a época em que Isael ainda ajudava a família, os amigos e a vizinhança com seus conhecimentos de carpintaria.
O bombeiro foi homenageado pela Câmara de Vereadores por bravura e recentemente ganhou uma medalha por 10 anos de corporação. Diante das homenagens, Isael apontou letra por letra em sua tabela alfanumérica para dizer qual o seu maior desejo hoje: ''t-e-r u-m-a v-i-d-a n-o-r-m-a-l''. (A.I.)





