As pedras preciosas estão em todas as ruas e esquinas, mas o verdadeiro tesouro do Jardim Ideal (Zona Leste) pode ser definido em apenas uma palavra: amizade. Trocadilhos a parte (uma vez que todas as ruas do bairro têm nomes de pedras preciosas), a união, o companheirismo e a confiança parecem, de fato, fazer parte do dia-a-dia do bairro. O local - de ruas tranquilas e limpas e de pouco comércio - tem cerca de 38 anos e aproximadamente 3,8 mil habitantes. Ainda há moradores que estão lá desde a sua fundação, o que garante o clima amistoso entre os vizinhos.
Foram essas pessoas que viram o mato e as lavouras ceder espaço às casas. Acompanharam o crescimento do bairro e o desenvolvimento da própria cidade. Passaram por períodos difíceis - sem asfalto e água encanada - mas nasceu daí a solidariedade. A capela Santa Inês, por exemplo, foi construída por iniciativa dos próprios moradores. O caminhoneiro José Luciano Barbosa lembra que os fiéis estavam incomodados com o barro que tinham que enfrentar para chegar à Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Casoni.
''Quando a gente chegava lá a igreja estava lotada, nós ficávamos para fora'', conta Barbosa. Foi quando surgiu a idéia de construir a própria capela. Os moradores pediram doações de materiais no comércio, se cotizaram com dinheiro e organizaram até uma feira, com produtos cedidos pela Ceasa. Os homens também colocaram a ''mão na massa'' e ergueram a capela. O mesmo ocorreu para a construção das capelas mortuárias. Mobilização dos moradores e ajuda, desta vez, mais forte da própria Igreja Católica, que colaborou com boa parte dos recursos necessários.
O padre Fábio Castelli, italiano, afirma que a comunidade é bem atuante, inclusive, com a participação de jovens e crianças. A fé é tão forte que, há um mês, a quantidade de missas aumentou. Agora são duas por final de semana: aos sábados à noite e aos domingos de manhã. ''A igreja ficou pequena. Há um engajamento da população, que começou ainda com os avós. Aqui as pessoas gostam de ajudar'', diz o padre Castelli. O caminhoneiro acrescenta que o sentido de família ainda é bem forte. Muitas crianças cresceram, se casaram e continuam morando por perto.
''Aqui todos são apaixonados pelo bairro. Os jovens querem ficar e não é só por falta de posses. Alguns já derrubaram as casas velhas e construíram as novas no mesmo terreno'', afirma o presidente da associação de moradores Vandercy Garcia Pereira. A confiança é tamanha que quando alguma família viaja, os vizinhos tomam conta da casa, às vezes, ficando até com a chave do imóvel. E este clima de cordialidade fez o comércio local - ainda formado por mercadinhos e açougues - conservar um hábito que já desapareceu do centro da cidade: a caderneta. ''Aqui ninguém fica sem comer por causa de dinheiro. É difícil ouvirmos falar de maus pagadores'', observa Pereira.
Foi esse lugar que o corretor de imóveis Clarismim Volpi - mais conhecido como Beleco - e a esposa, Luzia, escolheram para passar a vida. Migrantes de Nova Esperança (Noroeste do Estado), moraram na Vila Casoni até comprar um terreno no Jardim Ideal, quando o loteamento foi lançado. ''Quando vim para cá só tinha oito casas. Daqui só saio para morar em um condomínio fechado'', brinca, referindo-se ao cemitério. Ele também faz questão de afirmar que todos são amigos e que se entendem bem. ''O povo é bom, temos bastante amizades'', completa Luzia. Sentimento que também é compartilhado pelo aposentado Osvaldo Vidotti. ''Temos amizades fantásticas, o bairro é um lugar ótimo, abençoado por Deus''.

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