Paulo WolfgangDesesperoO pastor Geomar Balbino Alves em igreja da zona norte: cinco arrombamentos em apenas oito mesesPesquisa realizada na última semana pelo Instituto Alvorada a pedido da Folha comprova o que todos desconfiam há algum tempo mas as autoridades policiais relutam em admitir: a criminalidade cresce a cada dia e ameaça transformar Londrina numa cidade muito violenta, se as medidas preventivas e repressivas não forem tomadas com urgência. Segundo os dados, 15% dos londrinenses foram vítimas uma vez, 7,3% duas vezes e 6,3% três vezes. Pelo menos 130 mil pessoas já foram vítimas de criminosos na Cidade.
O roubo é o tipo de crime mais frequente, tendo atingido aproximadamente 45 mil pessoas (10,3% da população). Assalto à mão armada foi sofrido por 9%, enquanto que arrombamento de casa fez 6,7% das vítimas. Outros 3,3% sofreram agressões físicas. A pesquisa mostra ainda que 58% acreditam que registrar queixa na polícia não reduz a violência urbana, o que demonstra o descrédito que aquela instituição sofre perante a opinião pública. E pode significar que a violência real seja maior que a oficialmente registrada e divulgada pelas autoridades responsáveis pela segurança pública.
A causa de tanta violência, para 31,7% dos pesquisados, é o Estatuto do Menor e do Adolescente, que estaria garantindo a impunidade e aumentando a prática de delitos entre os menores de 18 anos. Outros 12% consideram que a causa é o comodismo da polícia, enquanto que 10% creditam o aumento da violência ao pequeno efetivo da Polícia Civil. A criminalidade é consequência da falta de policiamento nas ruas para 8,7% da população; outros 8,7% dizem que a polícia não prende os criminosos.
Mas, apesar de as estatísticas comprovarem que a violência tem crescido muito nos últimos cinco anos e os atuais chefes das polícias - Civil, Federal e Militar - insistirem em que a Cidade é tranquila, se comparada com outras do mesmo tamanho, a criminalidade não é fato novo em Londrina. Em 1983, o então delegado-chefe da Polícia Civil, Wanderci Fernandes, já afirmava que ‘‘a saída é cada londrinense se cuidar como puder’’.
Segundo dados da Polícia Civil, o número de arrombamentos de casas cresceu de 606, em 1991, para 1.273, no ano passado - um aumento de mais de 100%. No mesmo período, o número de arrombamentos de estabelecimentos comerciais foi de 407 para 767. De onde se conclui que têm ocorrido, em média, 5,5 arrombamentos por dia em Londrina.
Dados da Polícia Militar demonstram que o número de assaltos à mão armada cresceu de 308, em 1992, para 478 no último ano - um aumento de 55,19%. O roubo de automóveis aumentou, no mesmo período, de 811 para 1.160 - crescimento equivalente a 43,03%. Do total de carros roubados no ano passado, 430 (37,06%) foram recuperados pela polícia. Em 92, 414 (51,04%) automóveis foram recuperados. O número de homicídios foi de 24 em 1992, subiu para 34 no ano seguinte, baixou para 16 em 1994, aumentou para 27 em 95, e voltou a 24 no ano passado. Isso equivale a dizer que alguém é morto, violentamente, a cada 15 dias em Londrina.
As estatísticas da PM registram ainda outros números e tipos de violência. O número de mulheres estupradas foi de 11 em 1992, subiu para 13 em 1994 e baixou para 8 no último ano. O número de pessoas vítimas de agressões físicas cresceu de 453, em 1992, para 502 no ano passado. Segundo a Polícia Civil, o crime de estelionato aumentou de 45, em 92, para 202 em 96 - um crescimento de 448,88%.
De acordo com a pesquisa da Alvorada, o arrombamento de casa é o pior tipo de violência cometido em Londrina para 20,03% das pessoas. Outros 11,30% da população consideram o assalto como o pior; enquanto que 11% apontam os assassinatos e também 11% delitos cometidos por menores como os crimes mais preocupantes. Tem sido mesmo, cada vez maior, o número de arrombamentos de estabelecimentos comerciais e residências, inclusive apartamentos, com os moradores presentes.
Na semana passada, a Igreja do Evangelho Quadrangular, no jardim Alto da Boa Vista (zona norte), foi arrombada pela quinta vez em oito meses. Construída em janeiro de 1994, em agosto de 96 ela foi arrombada pela primeira vez. O pastor Geomar Balbino Alves diz que não aguenta mais ser roubado, reclamar à polícia e não reaver nada do que foi levado pelos ladrões. Nesses cinco arrombamentos de portas e janelas, foram levados guitarras, microfones, caixas de som, alimentos, botijões de gás e outros pequenos objetos.
Sem dinheiro para contratar um caseiro ou vigilante, e nem para instalar alarme, o pastor já investiu cerca de R$ 1.500,00 na compra de novas janelas, portas, grades e reforço da segurança. Os arrombadores nunca foram vistos e nem praticaram violência física a membros da igreja, mas Geomar Alves diz desconfiar que eles sejam ‘‘adolescentes desocupados que, infelizmente, existem às dezenas nesta região da Cidade’’.
O total de ocorrências atendidas pela Polícia Militar cresceu de 9.519, em 1992, para 26.191 em 96; o que equivale a 275,14%. Só nos dois primeiros meses deste ano, o total de ocorrências já chega a 4.608. Isto significa 78,5 ocorrências diárias, ou seja, uma ação policial a cada 16,8 minutos; resultando em 12,7 detenções por dia, em média. Do total de infratores detidos pela PM neste período, 543 são maiores de idade e 202 são menores.
Segundo o levantamento da PM, o período mais violento do dia em Londrina - com maior incidência de ocorrências policiais -, está compreendido entre 21 e 23 horas; enquanto que o período mais tranquilo fica entre as 5 e 7 horas da manhã. Para efeito de registros e atendimentos, a Polícia Militar divide a Cidade em quatro grandes regiões. A mais violenta é a sudoeste, que vai do jardim União da Vitória (zona sul, na saída para Curitiba) ao jardim Olímpico (zona oeste, na saída para Cambé), com 33,29% das ocorrências. Em seguida vem a região leste, que compreende, entre outros bairro, a vila Marízia e os jardins Marabá e Santa Fé, na saída para Ibiporã, com 29,75%. A região norte - Cinco Conjuntos - registra 25,14%; enquanto que a região central (a menor e mais tranquila) é responsável por 11,80% das ações da PM na Cidade.

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