O lixo que ninguém quer
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terça-feira, 23 de março de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Toneladas de lixo tóxico e contaminado, que poderiam ser tratadas ou mesmo recicladas, continuam chegando diariamente ao aterro sanitário de Londrina, devido à falta de gerenciamento por parte de quem produz os resíduos. Enquanto a reciclagem de lixo doméstico na cidade vai de vento em popa, materiais como pilhas, baterias e lâmpadas usadas, bem como resíduos hospitalares, ainda precisam de uma atenção maior.
O problema consta da pauta de discussões do Comitê de Gestão de Resíduos, montado no ano passado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) com participação da comunidade. Neste ano, contudo, os trabalhos do grupo ainda não engrenaram. E no caso do lixo hospitalar, a solução para o impasse exige pressa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu prazo até o dia 15 de julho para que os serviços de saúde hospitais, clínicas, consultórios, laboratórios, necrotérios cumpram as exigências estabelecidas na Resolução 33, de março de 2003, relativas ao manejo, tratamento e transporte dos resíduos até o destino final. As multas para quem desobedecer as regras poderão chegar a R$ 1,5 milhão.
Em Londrina, atualmente, as unidades de saúde apenas embalam o lixo, que é recolhido pelo município e depositado numa vala séptica do aterro. Segundo o responsável técnico pelo aterro na CMTU, Elsoni Delavi, equipes do Programa Saúde na Família (PSF) e pacientes que fazem tratamentos complexos em casa, como diabéticos, também embalam seus resíduos e os levam para as Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Pela resolução da Anvisa, grande parte desse lixo teria de ser esterilizada antes de parar nos aterros. Como o processo tem custo alto, hospitais de Londrina cogitam formar um consórcio para adquirir os equipamentos necessários, como um incinerador. ''Essa é a escolha mais provável, pois nenhum hospital da região tem condições de arcar com o processo, que dirá o nosso, que está passando por uma crise'', afirma a enfermeira da Comissão de Controle de Intoxicações (CCIH) do Hospital Evangélico (HE), Kátia Regina Bruno. ''Isso foi levantado nas reuniões com a CMTU, no ano passado, mas a discussão morreu ali'', acrescenta.
Com relação à triagem de resíduos hospitalares nem todos são contaminados Kátia explica que o HE já vem reciclando o máximo de material possível, como frascos de soro, por exemplo. O Hospital Santa Casa de Londrina, por sua vez, já iniciou o treinamento de funcionários para o manejo de lixo, como informou sua assessoria de imprensa. A reportagem tentou obter informações sobre o tratamento de resíduos no Hospital Universitário (HU), mas não teve retorno.
Na rede municipal de saúde, que também não conta com equipamentos para esterilização de resíduos, os funcionários procuram fazer a segregação do lixo e acondicionar os materiais de forma adequada. A informação é do chefe municipal de Vigilância Sanitária, Marcelo Vianna de Castro, que também defende a aquisição coletiva dos equipamentos para descontaminação. ''Eles poderiam ser usados até por outras cidades da região'', observa.


